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Tarifa dos EUA sobre tilápia brasileira pode reduzir preço do peixe

Tarifa de 25% não atinge a tilápia brasileira; efeito no preço interno é improvável, pois exportação soma apenas 2,1% da produção e foca nos EUA

Tarifa dos EUA sobre tilápia brasileira pode baratear o peixe? Entenda
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  • A tarifa de 25% proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos não inclui tilápia entre as exceções, o que pode acarretar custo adicional para importadores norte‑americanos caso seja aplicada a partir de 15 de julho.
  • A medida foi anunciada na segunda-feira (1º) e pode entrar em vigor a partir de 15 de julho, com o pagamento ficando por conta das empresas dos EUA que compram o produto brasileiro.
  • Embora a tilápia brasileira seja amplamente exportada para os EUA (90% do que é exportado), as exportações representaram apenas cerca de 2,1% da produção nacional, segundo dados oficiais.
  • Analistas afirmam que, mesmo com possível recuo das exportações, o impacto nos preços internos tende a ser limitado, já que o mercado americano não é o único fornecedor e as exportações ainda são relativamente pequenas.
  • Em 2025, tarifas anteriores impostas pelos EUA reduziram a rentabilidade e reduziram as exportações brasileiras para o país, enquanto o Brasil buscou ampliar vendas para outros mercados, como o Canadá.

A tarifa dos EUA para produtos brasileiros ainda não inclui a tilápia na lista de exceções da proposta de 25% anunciada pelo USTR. A medida pode entrar em vigor em 15 de julho, conforme divulgado na segunda-feira. O custo da tarifa, se aprovada, fica a cargo das empresas norte-americanas que importarem o peixe.

Para o consumidor brasileiro, o efeito não é direto. A tarifa é repassada aos compradores dos EUA, não aos brasileiros. A tilápia é o principal pescado exportado pelo Brasil, respondendo por 90% do volume enviado ao exterior, segundo dados oficiais.

Entretanto, as exportações de tilápia representam apenas cerca de 2,1% da produção nacional. Analistas avaliam que a queda neste indicador não deve provocar grande recuo de preços no mercado interno, mesmo com retração das vendas ao exterior.

A tilápia brasileira tem participação menor em comparação com carne e café, que possuem outros fornecedores relevantes para os EUA. O Cepea aponta o Brasil em quarto lugar entre exportadores para os EUA, atrás de China, Colômbia e Indonésia.

Para o setor, pode haver recuo de preços em mercados regionais, mas não em âmbito nacional. Além disso, cerca de 80% do mercado americano de tilápia é feito com filé congelado, enquanto o Brasil exporta principalmente filé fresco.

Outros dados apontam que tarifas anteriores de Trump provocaram aperto na rentabilidade de produtores, que absorveram parte do custo para manter vendas. As exportações para os EUA, no entanto, recuaram 43,7% no segundo semestre de 2025.

Abertos a novos mercados, brasileiros passaram a ampliar as vendas para o Canadá, entre outros destinos. Ainda assim, especialistas ressaltam que a dependência dos EUA permanece alta e que alterações no cenário dependem de concorrentes, como a Colômbia.

O presidente da Abipesca destaca que a tilápia não figura entre os itens citados diretamente na investigação da Seção 301, e esperan-se consultas técnicas com base em evidências. A pouca participação no total ajuda a mitigar impactos.

Perspectivas e contexto

A medida brasileira é parte de um conjunto de tarifas já registradas no histórico recente, com efeitos variados sobre a cadeia produtiva. Analistas destacam a necessidade de monitorar novos movimentos de preço no mercado interno.

O governo brasileiro não divulgou ainda estimativas oficiais sobre impactos econômicos. Acompanhar a evolução das negociações com autoridades norte-americanas será essencial para entender eventuais ajustes no setor.

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