- A Casa Branca reativou ameaças de tarifas contra o Brasil pela investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, com possível taxa de até 25% sobre uma grande base de produtos brasileiros.
- Estima-se que cerca de 27% das exportações brasileiras para os EUA sejam atingidas, equivalentes a aproximadamente US$ 9,5 bilhões em 2025.
- Entre os setores visados estão máquinas e equipamentos, madeira, elétricos, calçados, têxteis, borracha, plásticos, etanol, açúcar e pescados; itens estratégicos, como componentes da indústria aeronáutica, ficam de fora, bem como alguns alimentos.
- Paralelamente, outra investigação sobre trabalho forçado sugere tarifa adicional de 12,5% sobre produtos do Brasil e de 58 países, acusando falhas no combate à escravidão moderna.
- O movimento é visto como parte de uma estratégia protecionista de Trump para uso político nas eleições, com a expectativa de que o governo brasileiro busque canais diplomáticos para mitigar as medidas.
O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, renovou a ameaça de tarifas sobre o Brasil, impulsionado pela avaliação da Seção 301 da Lei de Comércio. A investigação, aberta em julho do ano passado e concluída recentemente, aponta para uma possível cobrança de até 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros.
Segundo a consultoria MB Associados, o impacto potencial atingiria cerca de 27% das exportações brasileiras para os EUA, equivalentes a aproximadamente US$ 9,5 bilhões de um total de US$ 37,7 bilhões em 2025. Entre os setores mais atingados estão máquinas e equipamentos, madeira, artigos elétricos, calçados, têxteis, borracha, plásticos, etanol, açúcar e pescados.
Alguns itens estratégicos, como componentes da indústria aeronáutica, ficariam de fora, assim como determinados alimentos, por conveniência americana. Paralelamente, o governo confirmou uma segunda linha de apuração sobre trabalho forçado, com proposta de tarifa adicional de 12,5% para o Brasil e outros 58 países, por alegadas falhas no combate a condições análogas à escravidão.
Implicações e contexto
A ofensiva comercial decorre da derrota do governo Trump na Suprema Corte, que derrubou tarifas globais anteriores e exigiu novas estratégias. Em fevereiro, foi expedida uma tarifa universal de 10%, com validade até julho. A lista de queixas abrange ainda desmatamento, corrupção, proteção à propriedade intelectual, barreiras ao comércio digital e acesso ao mercado de etanol.
A possibilidade de uso político das tarifas é citada como fator de pressão na arena eleitoral. Analysts apontam que a manobra pode ser explorada no cenário eleitoral brasileiro, envolvendo o governo Lula e possíveis aliados. A diplomacia brasileira sinaliza que deverá buscar canais oficiais para mitigar medidas e manter o comércio estável.
Entre na conversa da comunidade