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Bradesco alerta: câmbio pode entrar em fase de normalização após depreciação

Bradesco aponta fase de normalização do câmbio real após longo ciclo de depreciação, destacando a persistência de ciclos cambiais no Brasil

Notas de real e dólar em imagem de ilustração 18 de dezembro de 2024 REUTERS/Amanda Perobelli
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  • Bradesco aponta que o câmbio real mostra sinal de normalização após um longo período de depreciação, mesmo com a moeda nominal em patamar elevado no passado recente.
  • Ao fim de 2024, o dólar chegou a ultrapassar R$ 6,20, mas o movimento recente do câmbio real indica possível descanso da fase de depreciação.
  • O analista Rafael Murrer diz que a valorização nominal intensa da moeda foi o principal fator de apreciação real, com a inflação doméstica contribuindo de forma relevante.
  • Em maio, a apreciação do câmbio real em doze meses foi puxada por R$ 0,69 do câmbio nominal e R$ 0,23 da inflação doméstica, quase totalmente compensados pela inflação dos EUA.
  • Ciclos cambiais brasileiros apresentam elevada persistência, com médias históricas de câmbio real acima de 4,0 reais por dólar, e quedas ou altas prolongadas em janelas de quase uma década.

Bradesco afirma que o câmbio brasileiro pode estar em fase de normalização após um longo período de depreciação. Ao final de 2024, a cotação do dólar ultrapassou R$ 6,20, marcando recorde histórico, mas sinais recentes indicam um ajuste no câmbio real.

Segundo o analista Rafael Murrer, a valorização nominal forte foi o principal impulsionador da apreciação do câmbio real, com a inflação doméstica contribuindo de forma relevante. No fim de maio, a apreciação em 12 meses teve R$ 0,69 vindo do câmbio nominal e R$ 0,23 da inflação interna, quase inteiramente compensados pela inflação dos EUA.

A equipe do Bradesco observa que, apesar da inflação americana pós-pandemia sustentar patamares elevados de câmbio real, esse movimento é raro em ciclos históricos. Entre 1980 e 2026, a média do câmbio real fica em torno de R$ 4,08 por dólar. Desde 1999, com o regime de câmbio flexível, a média sobe para R$ 4,42 e a média móvel de 10 anos para R$ 4,98.

Ciclos e persistência

A pesquisa aponta que a métrica de 5 anos sugere apreciação recente, levando em conta efeitos da pandemia. Desvios à média móvel indicam ciclos cambiais longos: de junho de 2005 a novembro de 2014 a série esteve bem abaixo da tendência por quase 10 anos. Outro período de depreciação prolongada começou no fim de 2014, com 11,5 anos de deslocamento.

Para os analistas, os ciclos cambiais brasileiros apresentam elevada persistência, com possibilidade de durar perto de uma década. Contudo, o momento atual não implica, de forma automática, uma continuidade prolongada de câmbio apreciado.

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