- Cerca de 80% dos americanos teve um problema com serviço ou produto em 2025, e cerca de dois terços sentiram raiva com isso.
- A inflação alta, combinada a fusões, recuos regulatórios, decisões judiciais que limitam o poder do consumidor, cortes de custos com tecnologia, aquisições por private equity, mudanças no modelo de negócios pós‑Covid e IA no atendimento, ajudam a explicar a irritação.
- A estimativa é de que as famílias percam aproximadamente US$ 165 bilhões por ano com a “economia do aborrecimento” — tempo, tarifas e irritação para navegar no dia a dia.
- O noticiário aponta um recuo de vigilância federal sob a última gestão, com cortes de orçamentos e políticas enfraquecidas, apesar de exceções como a Federal Trade Commission atuando em alguns casos.
- Há queda de investimento em jornalismo de consumo e surgimento de jornalistas cidadãos e organizações não governamentais que investigam abusos, mas especialistas avaliam que ainda não basta para mudar o cenário.
Ao menos 80% dos consumidores americanos enfrentaram algum problema com serviço ou produto em 2025, e cerca de dois terços disso reclamaram com raiva, segundo a pesquisa National Consumer Rage. O estudo evidencia uma reação marcada pela soma de atrasos, cobranças, falhas de atendimento e erros de cobrança.
A rapidamente crescente insatisfação ocorre em meio a inflação alta e aumento de preços. Especialistas citam fatores como consolidação de empresas, cortes regulatórios e mudanças nos modelos de negócio iniciadas durante a pandemia como componentes da “raiva do consumidor”.
Além de frustrações pontuais, o sentimento está ligado a perdas financeiras e impacto na vida cotidiana. A Groundwork Collaborative estima que a chamada “economia do incômodo” custa aos lares americanos cerca de 165 bilhões de dólares por ano, em tempo, taxas e frustrações.
O que está por trás
Relatos de consumo mostram episódios repetidos: cobranças indevidas, dificuldades para cancelar serviços e decisões de empresas que parecem favorecer o lado corporativo. A comparação com um jogo de whac-a-mole ilustra a sensação de batalha constante contra problemas.
Líderes de defesa do consumidor destacam que o acúmulo de queixas reacende desconfiança entre famílias e fornecedores. A tensão se torna ainda mais evidente quando a sociedade encara níveis de confiança baixos e sistemas de atendimento lenta ou pouco eficaz.
Perspectivas oficiais e mudanças
Autoridades federais, segundo especialistas, passaram por cortes de orçamento e reduziram políticas de fiscalização. Em contraste, a FTC e outras entidades têm adotado ações pontuais contra práticas abusivas, como cobranças indevidas e preços enganosos, especialmente no setor de varejo e serviços.
Analistas técnicos ressaltam que a combinação de tecnologia de atendimento e modelos de negócio mais enxutos pode economizar custos, mas também ampliou a percepção de que clientes são tratados como alvos de cobrança. O debate permanece sobre caminhos possíveis para restaurar a confiança.
O que vem pela frente
Pesquisadores planejam ampliar a cobertura sobre causas, impactos e soluções potenciais. O tema é acompanhado por organizações de defesa do consumidor, imprensa especializada e universidades, com foco em caminhos práticos para reduzir abusos, melhorar o atendimento ao cliente e reforçar mecanismos de reparação.
Entidades e especialistas ressaltam ainda a importância de ações consistentes para evitar que a irritação evolua para rupturas maiores entre consumidores e empresas, mantendo o debate público centrado em fatos verificáveis e políticas eficazes.
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