- O preço do querosene de aviação subiu 97,6% desde o início da guerra no Irã, indo de R$ 3,36 por litro na semana de 23 de fevereiro para R$ 6,64 na semana de 18 a 24 de maio.
- A Petrobras anunciou queda de 14,2% no preço do QAV vendido em suas refinarias, o que representa uma redução de R$ 0,93 por litro.
- A Abear afirma que ainda analisa os impactos da redução anunciada pela Petrobras e que a medida alivia a pressão, mas sem avaliação consolidada.
- O QAV representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas; a Petrobras detém aproximadamente 85% da produção brasileira do combustível, o que amplifica o efeito dos reajustes.
- O governo prorrogou a isenção de PIS/Pasep e Cofins sobre o QAV até 31 de julho de 2026, com estimativa de impacto de cerca de R$ 79 milhões em dois meses, ou aproximadamente R$ 40 milhões por mês.
O preço do Querosene de Aviação (QAV) subiu quase 98% desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, segundo a ANP. O valor médio de venda aos produtores e importadores passou de R$ 3,36 por litro, na semana de 23 de fevereiro, para R$ 6,64 na semana de 18 a 24 de maio, refletindo o choque externo sobre o combustível.
Na sequência de altas, a Petrobras anunciou, na segunda-feira, uma redução de 14,2% no preço do QAV vendido em suas refinarias, equivalente a R$ 0,93 por litro. A medida provoca alívio imediato, mas o efeito líquido ainda depende de como o mercado absorver a queda.
A Abear, associação que representa as principais companhias, disse que ainda avalia os impactos da redução. A entidade pontua que a descompressão evita, temporariamente, a pressão causada pelos aumentos recentes, sem indicar um fator definitivo de recuperação.
A Petrobras justificou que o reajuste anterior, de 54,8% previsto contratualmente, sofreu ajuste para repassar parte do custo às distribuidoras. A estatal ofereceu às fornecedoras da aviação comercial um aumento imediato de 18%, com parcelamento da diferença em seis parcelas a partir de julho.
Dois aspectos conferem peso à decisão da Petrobras: a produção nacional domina o QAV consumido no Brasil, e a estatal detém cerca de 85% da produção local, o que amplia o efeito direto sobre os terminais de abastecimento. A Abear aponta que o QAV já representa aproximadamente 45% dos custos operacionais das empresas.
Isenção tributária em curso
Para conter a pressão, o governo federal editou medidas de alívio. Em abril, o Decreto 12.924 zerou PIS/Pasep e Cofins sobre o QAV até 31 de maio. A prorrogação, até 31 de julho de 2026, veio com o Decreto 12.991, recebido com bons olhos pelo setor.
Estimativas iniciais apontavam um impacto de cerca de R$ 79 milhões em dois meses com a desoneração. Em termos mensais, o custo ao governo ficaria em torno de R$ 40 milhões sem a prorrogação, variando conforme o volume comercializado.
Impacto sobre as passagens
O aumento do combustível já se reflete no preço das passagens domésticas. Em abril de 2026, o tíquete médio ficou em R$ 669,41, maior nível para o mês desde 2022, com alta de 9% frente a abril de 2025, segundo dados da Anac ajustados pelo IPCA.
Os números mostram a intensidade do efeito logo após o início do conflito no Irã. Em fevereiro, a tarifa média era de R$ 621,92; em março, disparou para R$ 711,90, alta de 14,5%. Em abril houve recuo, mas a variação segue acima de fevereiro.
As oscilações do QAV, principal custo das companhias, continuam influenciando o preço final das passagens e a sustentabilidade do setor, em meio a um cenário internacional volátil.
Entre na conversa da comunidade