- O Brasil está atrasado na corrida de baterias: Europa tem 80 gigawatts-hora instalados e os Estados Unidos cresceram para mais de 40 gigawatts, enquanto o Brasil soma menos de 1 gigawatt-hora, com 70% fora da rede elétrica.
- O primeiro leilão de baterias do país está previsto para dezembro, visto como divisor de águas para o setor.
- A modelo atual exige que as baterias fiquem 100% disponíveis para o operador, o que dificulta usos adicionais e o empilhamento de receitas, segundo Zebedeu Souza, da Matrix Energia.
- A Matrix Energia atua há anos no Brasil com baterias em grandes consumidores industriais, com 60 clientes ativos e cerca de 700 megawatts instalados no país, dos quais 160 são da empresa.
- Existem projetos-piloto, como laboratórios em uma distribuidora paranaense e soluções para abastecimento de ônibus elétricos em São Paulo, que mostram o potencial das baterias, desde que o leilão seja bem estruturado.
O primeiro leilão de baterias do Brasil está marcado para dezembro, mas chega com anos de atraso diante da demanda do setor elétrico. Enquanto a Europa já soma 80 gigawatts-hora instalados, o Brasil ainda não atingiu nem 1 gigawatt-hora, sendo 70% desse total em sistemas isolados fora da rede.
A situação mostra um mercado emergente em meio a desafios regulatórios e de remuneração. Nos Estados Unidos, a capacidade de armazenamento cresceu de menos de 1 GW em 2018 para mais de 40 GW hoje; na Califórnia, baterias já lideram horários de pico. O Brasil depende de avanços estruturais para avançar.
Atualmente, a intermitência da geração solar é o principal gargalo: há geração diurna, mas a demanda atinge picos quando o sol se põe. O resultado é um sistema que oscila entre sobra de energia em alguns momentos e risco de instabilidade em outros.
A Matrix Energia atua como pioneira no uso de baterias no Brasil, em parceria com a Huawei. A empresa instalou baterias em grandes consumidores industriais sem custo inicial, cobrando o investimento via contrato de serviço. Hoje há 60 clientes ativos sob monitoramento em tempo real.
Do total de aproximadamente 700 MW de baterias no país, 160 MW são da Matrix, e o centro de operações de baterias é o único no Brasil. Além disso, a matriz desenvolve projetos piloto relevantes para o setor.
Laboratório no Paraná e operação de ônibus elétricos em São Paulo compõem o portfólio. Em uma distribuidora paranaense, as baterias atenderam quase 100% da carga em certos horários, funcionando como teste real para o atendimento da rede. Em São Paulo, o armazenamento viabiliza o abastecimento de ônibus sem sobrecarregar as garagens.
O leilão de dezembro pode representar um ponto de virada, desde que o desenho do formato permita a remuneração pelos serviços prestados pela bateria, não apenas o uso pelo operador do sistema. O risco apontado é que regras mal definidas travem o mercado antes de ele decolar.
À frente, a questão é se o Brasil conseguirá acelerar a adoção no ritmo dos primeiros 100 gigawatts de baterias. O tempo é curto, e a velocidade da implantação depende de como o leilão será estruturado e regulamentado.
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