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Estagnação econômica ameaça empregos mais que IA, afirma historiador

Historiador aponta estagnação econômica como principal freio à criação de empregos; desqualificação digital pode pressionar salários e ampliar desigualdades

O historiador e professor da Universidade Cornell, Aaron Benanav
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  • A estagnação da economia global, e não a IA, é apontada como a principal ameaça à criação de empregos.
  • A IA parece afetar mais os trabalhadores de entrada do que os de nível médio, agravando a precarização e podem reduzir salários.
  • O pesquisador Aaron Benanav chama de desqualificação digital a lógica de que tecnologias permitem contratar mais trabalhadores a preços menores, pressionando rendas.
  • As plataformas digitais são citadas como exemplo dessa desqualificação, expandindo o pool de trabalhadores e aumentando a vigilância sobre o trabalho.
  • O autor defende a redução da jornada de trabalho para quatro dias, como forma de elevar produtividade e salários, tanto no Brasil quanto no mundo.

Aaron Benanav, historiador e professor da Universidade Cornell, afirma que a estagnação econômica, e não a IA, é a principal ameaça ao mercado de trabalho. Ele sustenta que o peso crescente dos serviços freia a produtividade e a criação de vagas.

Em entrevista à Folha, o pesquisador discute que a IA tende a afetar mais trabalhadores de entrada do que pessoas de nível médio. O efeito seria uma precarização do mercado e possível queda de salários em plataformas digitais de transporte e entrega.

Benanav lançou no Brasil o livro Automação e o Futuro do Trabalho, pela Editora Boitempo, e esteve no país na segunda semana de maio para divulgar a obra. O autor defende mudanças na jornada como forma de melhorar empregos.

Impacto da IA na composição do emprego

Segundo o historiador, estudos sobre IA costumam superestimar impactos sobre vagas. Quando a tecnologia avança em tarefas, ainda é necessário trabalho humano para complementá-la, evitando quedas abruptas no emprego.

Ainda conforme a leitura dele, a probabilidade de reduzir vagas depende do quanto a máquina assume tarefas. Em cenários com mais de 50% de automação, há menor criação de postos. Caso a automação fique abaixo disso, a mudança tende a ser localizada.

Ele ressalta que, até agora, a IA tem pressionado mais trabalhadores iniciantes, não apenas os de baixa qualificação. O resultado é uma disfunção no mercado de trabalho jovem, com impacto potencial em salários.

Desqualificação digital e plataformas

Benanav descreve a desqualificação digital como risco central. A tecnologia amplia o leque de candidatos que podem ser contratados, o que pressiona remunerações de trabalhadores menos experientes.

Um exemplo citado é o setor de transportes, com apps que estruturam a demanda de motoristas, aumentando a competição por empregos. A dinâmica pode pressionar rendimentos se não houver ganhos proporcionais de produtividade.

Mesmo que a IA permita tarefas mais rápidas, o autor lembra que muitas ocupações não se tornam mais eficientes com tecnologia. Em serviços, a padronização é difícil, limitando ganhos de produtividade.

Perspectivas de melhoria e regulação

Para o Brasil e o mundo, Benanav defende que a tecnologia possa elevar produtividade e salários se for usada para aprimorar o trabalho, não para vigilância excessiva ou redução salarial. Regulação é apontada como necessária para evitar abusos.

O pesquisador também aponta o potencial positivo da economia de plataformas: maior autonomia para alguns trabalhadores e criação de novas formas de emprego. Contudo, ele alerta para o surgimento de empregos de baixa qualidade e maior desigualdade.

Caminhos para o futuro do trabalho

Quanto à jornada de quatro dias por semana, Benanav vê a medida como possibilidade de melhorar empregos e renda, desde que acompanhada de políticas públicas que assegurem produtividade e qualidade. A ideia é discutida globalmente, com diferentes ritmos de implementação.

Em sua análise, a chave é a combinação entre inovação tecnológica, organização do trabalho e proteção social. A economia não cresce de forma suficiente para absorver toda a mão de obra sem ajustes estruturais.

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