- Allied Tecnologia vendeu direito sobre crédito tributário de cerca de R$ 890 milhões a um investidor, com deságio médio de aproximadamente sessenta por cento para obter liquidez rápida.
- O caso ilustra o surgimento de uma indústria brasileira de “special situations” que monetiza ativos jurídicos em créditos, honorários, heranças e disputas societárias.
- O livro Investimentos em Special Situations, de Daniel Kalansky e João Gabriel Rodrigues, reúne histórias reais para explicar esse mercado que já movimenta bilhões em países como Estados Unidos, Reino Unido e Austrália.
- Exemplos citados incluem financiamentos de litígios em divórcios, disputas de heranças e casos internacionais, como o Post Office no Reino Unido, que resultou em indenização de 57,75 milhões de libras esterlinas.
- O caso Petersen Energia x República da Argentina mostra os riscos: decisões judiciais podem mudar e impactar fortemente o valor final do ativo, como ocorreu com a queda da Burford na Nyse após a reversão do veredito.
O mercado de ativos não líquidos ganha espaço no Brasil. Allied Tecnologia vendeu direitos sobre um crédito tributário a um fundo gerido pelo Itaú, após vencer disputa pela recuperação de benefícios fiscais da Lei do Bem. O negócio inclui deságio de cerca de 60%.
A operação ocorreu após a Allied anunciar ao mercado a conclusão do crédito reconhecido, mas com longa trajetória de liquidez. O CEO Silvio Stagni liderou a decisão de monetizar o ativo, mantendo o controle sobre o processo até a conclusão da venda.
Os créditos tributários, bem como outros ativos estressados, passam a compor o centro de uma indústria emergente. Gestores, advogados e investidores estruturam mecanismos para transformar itens ilíquidos em recursos de caixa.
O que são special situations
O conceito envolve encontrar valor em situações complexas como créditos judiciais, honorários, heranças e disputas societárias. O objetivo é monetizar direitos econômicos que aguardam decisões judiciais, arbitragens ou acordos.
No Brasil, o tema é explorado no livro Investimentos em Special Situations, de Kalansky e Rodrigues. Os autores destacam que muitos ativos permanecem ocultos dentro de processos.
Exemplos e fatores de mercado
Além de créditos tributários, há casos de disputas em heranças e divórcios, com fundos financiando a continuidade de ações em troca de participação nos resultados. Em alguns cenários, fundos compram ativos diretamente ou financiam disputas.
Mercados desenvolvidos já movimentam bilhões com litigation finance, prática que financia litígios mediante retorno futuro. Estudos citados no livro mostram estruturações que envolvem diferentes jurisdições e fontes de capital.
Riscos e lições
O livro traz o caso da Petersen Energia e a Argentina, envolvendo a expropriação da YPF. Decisão recente do Tribunal de Apelações dos EUA reverteu parte das alegações, afetando o valor dos ativos financiados pela Burford. A derrota demonstra a incerteza do payoff.
Essa volatilidade mostra que o valor final de ativos ocultos depende de variáveis jurídicas e regulatórias ainda incertas. Mesmo com histórico de sucesso, os resultados não são garantidos.
Entre na conversa da comunidade