- A IATA realiza sua 82ª assembleia anual no Rio de Janeiro entre hoje, 6, e segunda-feira, 8, com debates sobre sustentabilidade, comércio e tarifas, psicologia e direitos dos passageiros, além do avanço da IA no setor e o potencial do SAF.
- Um dos painéis discute reduzir a lacuna entre a produção brasileira de SAF (combustível de aviação sustentável) e as necessidades da indústria aérea.
- Em abril, a demanda global por transporte aéreo de passageiros caiu 3,4% em relação a same mês de 2025, causado pela guerra no Oriente Médio; sem esse efeito, a demanda cresceria 1,2%. A capacidade total caiu 2,9% e o fator de ocupação ficou em 83,1%.
- A queda na demanda de passageiros puxou o desempenho, mas a demanda por carga aumentou 4% no mês, impulsionada por fluxos comerciais da Ásia; as interrupções no Golfo continuam afetando rotas.
- O Brasil é destaque: a LATAM é anfitriã, o setor já representa 2,1% do PIB e há forte potencial de SAF e de exportações, com políticas para transformar esse potencial em prática.
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) realiza, no Rio de Janeiro, a 82ª assembleia anual do setor entre hoje (6) e segunda-feira (8). O encontro reúne cerca de 1.500 líderes do setor e autoridades para tratar de sustentabilidade, comércio, tarifas, psicologia e direitos dos passageiros, além do avanço da IA na aviação.
Um dos temas em debate envolve o SAF, o combustível de aviação sustentável, e o potencial brasileiro de produção versus as necessidades da indústria. O evento ocorre em meio a um momento de volatilidade no setor, com impactos da guerra no Oriente Médio sobre custos e fluxos de tráfego.
A última assembleia na América do Sul ocorreu em 1999, também no Rio, marcando a origem do formato da Cúpula Mundial de Transporte Aéreo. A IATA destaca a importância do encontro como plataforma principal para debates de alto nível sobre a aviação.
Impactos da guerra e desempenho recente
A guerra no Oriente Médio impacta o desempenho de passageiros e carga desde os últimos meses. Em abril, a demanda total caiu 3,4% ante abril de 2025, a menor variação anual desde a pandemia, segundo a IATA. Excluído o Oriente Médio, a demanda cresceu 1,2%.
A capacidade total, medida em assentos-quilômetro oferecidos (ASK), recuou 2,9% frente ao ano anterior. O fator de ocupação ficou em 83,1%, queda de 0,4 ponto percentual. A IATA aponta que a redução na demanda foi amplificada pela queda de 46,6% no Oriente Médio.
Willie Walsh, diretor-geral da IATA, ressaltou que a volatilidade persiste e que o custo do combustível para aviões dobrou em abril, o que pressiona tarifas. A organização monitorará os desdobramentos geopolíticos e seus efeitos no setor.
Enquanto a demanda por carga aérea cresceu 4% em relação ao ano anterior em abril, esse ganho ocorreu em meio a interrupções nos principais centros do Golfo, que afetam rotas e capacidade em corredores-chave. Cargueiros dedicados sustentam o crescimento e ajudam a manter cadeias de suprimentos em movimento.
Brasil, SAF e perspectivas
No contexto brasileiro, Walsh disse que o setor está em rápida modernização e já corresponde a 2,1% do PIB. O país tem potencial para ampliar a produção de SAF, com exportações em crescimento, o que pode fortalecer a conectividade aérea. O IATA planeja destacar políticas e mudanças necessárias para transformar esse potencial em realidade, dentro de um programa que aborda questões globais da aviação.
A LATAM Airlines Group atua como companhia anfitriã do evento, com a participação prevista de autoridades e executivos de várias empresas. O objetivo é discutir caminhos para um setor mais sustentável, competitivo e resiliente diante de pressões geopolíticas e operacionais.
*O jornalista viajou a convite da IATA.*
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