- O setor privado brasileiro está mobilizado para enfrentar o impacto das novas tarifas dos EUA, segundo o ex-diretor da OMC Roberto Azevêdo.
- Ele afirmou que as tarifas seguem um roteiro já anunciado pela Casa Branca, com objetivo de reindustrializar o país, aplicadas por meio de uma tarifa horizontal de dez por cento e pela Seção 301; no Brasil, a investigação já vinha em curso.
- A soma das tarifas atuais fica em cerca de 37,5 por cento, ainda elevada e capaz de comprometer a competitividade de exportações; as medidas da Seção 232 também atingem aço, alumínio, móveis e madeira.
- O setor produtivo, com Fiesp e CNI, acompanha as negociações e mantém interlocução com autoridades brasileiras e americanas para reduzir impactos.
- Azevêdo pediu que o tema não se transforme em debate eleitoral e defendeu uma postura pragmática nas negociações, com espaço para convergências em áreas como minerais estratégicos, terras raras e regras para transmissões eletrônicas.
O ex-diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, avaliou o cenário da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, as novas tarifas americanas seguem um roteiro já sinalizado pela Casa Branca, com objetivo de reindustrializar o país.
Azevêdo explicou que tarifas antes derrubadas pela Justiça dos EUA estão sendo retomadas por instrumentos legais. Entre elas, há uma tarifa horizontal de 10% e sobretaxas por país e setor, via Seção 301. No Brasil, a investigação já estava em curso desde o ano passado.
A situação para o Brasil é considerada menos tensa que antes, embora ainda preocupante. Ele aponta que a carga tarifária soma cerca de 37,5% hoje, em comparação com 50% no passado, o que ainda compromete a competitividade de alguns setores.
A atuação do setor privado
O ex-diretor ressaltou a mobilização do setor privado brasileiro para mitigar impactos. Entidades como a Fiesp e a CNI acompanham negociações e mantêm interlocução com autoridades brasileiras e americanas para buscar saídas.
Azevêdo destacou o risco de o tema entrar no debate eleitoral. O foco, segundo ele, deve ser os impactos econômicos e a preservação de empregos, não o uso político da disputa.
Otimista quanto às negociações, ele defende postura pragmática com Washington. Além das tarifas, o diálogo pode avançar em áreas como minerais estratégicos, terras raras e regras para transmissões eletrônicas.
Para ele, há espaço de convergência em temas como etanol, desmatamento, regulamentação de plataformas digitais e propriedade intelectual, desde que haja criatividade e abertura para compreender o outro lado.
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