- O El Niño tem 80% de chance de se desenvolver entre junho e agosto e deve ficar ativo até novembro, influenciando o plantio da safra 2026/2027.
- A safra atual deve atingir 358 milhões de toneladas de grãos, 1,6% acima da anterior, quebrando recorde histórico, mas o cenário climático pode reduzir as projeções no próximo ano.
- Em Mato Grosso, a produção de soja para o próximo ciclo pode cair 5%, enquanto o custo de custeio médio por hectare foi a R$ 4.286,89 em abril, alta de 1,88% em relação a março.
- O mercado de fertilizantes está mais lento: apenas 48% do volume previsto foi negociado, com a ureia variando próximo de US$ 700 por tonelada, perto de queda frente a picos recentes.
- A crise de enxofre se agrava: a Mosaic paralisa unidades em Minas Gerais e Goiás, refletindo aumento de preço (cerca de 1.100% desde US$ 100/tonelada para acima de US$ 1.200) e elevando o custo de fertilizantes à base de DAP/MAP.
O agronegócio brasileiro encara mais um desafio: o El Niño, que pode afetar o plantio da safra 2026/2027. A Organização Meteorológica Mundial prevê 80% de chance de desenvolvimento entre junho e agosto e mais de 90% de probabilidade de manter-se ativo até novembro. O fenômeno tende a elevar temperaturas globais e piorar secas, enchentes e ondas de calor.
No Sul, aumenta a probabilidade de chuvas acima da média, enquanto no Centro-Oeste há maior inconstância climática no momento decisivo do cultivo. O episódio anterior, entre 2023 e 2024, contribuiu para 2024 ser o ano mais quente já registrado.
Panorama climático e custos
Para a safra 2026/2027, produtores devem operar em clima incerto, com juros elevados e maior alavancagem, segundo o analista Gabriel Barra, do Citi. A próxima safra promete produção forte, mas margens já aparecem pressionadas.
A estimativa atual aponta 358 milhões de toneladas de grãos, 1,6% acima da temporada anterior, mantendo recorde. Com o El Niño, as projeções para o próximo ano já apontam recuo.
Custos e logística
Em Mato Grosso, o Imea projeta queda de 5% na soja no próximo ciclo. O custo de produção até abril chegou a R$ 4.286,89 por hectare, alta de 1,88% em relação a março.
A incerteza climática se soma a gargalos internacionais. O estreito de Ormuz permanece fechado, elevando volatilidade. A ureia chegou a quase US$ 800 por tonelada e hoje fica em torno de US$ 700.
Mercado de fertilizantes e impactos
Analistas dizem que fechar negócios é difícil diante de dúvidas sobre pagamentos e volatilidade. A média de insumos negociados para a próxima safra ficou em 48%, ante 60% no ano anterior.
O caso do enxofre é ainda mais grave. A Mosaic suspendeu temporariamente unidades em Tapira (MG) e Catalão (GO) por alta de preços. O custo do enxofre subiu quase 1.100% nos últimos tempos, de US$ 100 para mais de US$ 1.200 por tonelada.
Implicações de preço e produção
Normalmente o enxofre representa um terço do preço do fertilizante. Hoje, ele já supera 20% do custo final do produto, tornando operações inviáveis em muitos casos. A demanda por enxofre cresce com a expansão de veículos elétricos, usados para baterias.
Mesmo com pressões, os estoques globais de grãos permanecem confortáveis. Segundo o Citi, não há upside significativo nos preços da soja e do milho em dólar no curto prazo.
Perspectiva para o produtor
Mesmo com possível alta de soja e milho, não há compensação suficiente para cobrir fertilizantes, custos financeiros e incertezas climáticas. O setor segue cauteloso quanto aos próximos passos da safra.
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