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Apostas online impactam vendas de roupas e consumo de carne

Apostas online reduzem gastos com vestuário e alimentação, alterando o orçamento familiar e motivando medidas regulatórias.

Avanço de apostas online (bets) tem se tornado problema para diferentes setores, que defendem medidas para restringir a atuação das plataformas (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT Images/Gazeta do Povo)
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  • Apostas online no Brasil ganham escala: o mercado movimenta entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês, impulsionado pela digitalização e pelo Pix.
  • Consumo de carne recuou: a média por habitante caiu de 35 kg em 2024 para 31,9 kg em 2025, queda de 9%. O preço da proteína caiu, indicando que o problema é renda, não inflação.
  • Impacto no orçamento familiar: cerca de 23% dos apostadores deixaram de comprar vestuário e 19% reduziram gastos em supermercados para financiar as apostas.
  • Regulação e risco fiscal: apenas casas autorizadas podem operar desde janeiro, mas plataformas não autorizadas representam cerca de 85% da receita, gerando evasão fiscal superior a R$ 7 bilhões por ano.
  • Endividamento e consumo: estudos indicam aumento do endividamento familiar ligado às bets, com impactos em varejo, finanças e educação, especialmente entre classes de menor renda.

O crescimento do mercado de apostas online no Brasil já ultrapassou o nicho e impacta o orçamento familiar, afetando padrões de consumo como vestuário, alimentação e educação. Especialistas afirmam que o setor interfere na renda das famílias e pede atenção de autoridades.

Dados da Conab apontam que o consumo médio de carne recuou de 35 kg por habitante em 2024 para 31,9 kg em 2025, queda de 9%. O preço da proteína caiu, mas o consumo também; sinal de renda baixa, segundo o presidente da Abiec, Roberto Perosa.

Estudos estimam que mais de 25 milhões de brasileiros apostem em plataformas legalizadas pelo governo. O Brasil figurar como quinto maior mercado global, com movimentação mensal entre 20 e 30 bilhões de reais, é impulsionado pela digitalização e pelo Pix.

Fernando Escobar, da Peers Consulting, afirma que as bets reorganizam o orçamento familiar, principalmente nas classes C, D e E, afetando gastos com varejo, finanças e educação. A prática é apresentada como mudança estrutural no consumo.

O que está em jogo

Entre os impactos, 23% de apostadores deixaram de comprar roupas e 19% reduziram gastos em supermercados para manter o hábito de apostar. No setor financeiro, as apostas disputam poupança e investimentos.

Outro estudo, de março, mostra que o endividamento familiar já é o principal motor de inadimplência, com cada aumento de 1% nas bets elevando o endividamento em 0,23%. Dados do BC indicam recorde de endividamento e inadimplência em 2024-2025.

Medidas e propostas do varejo

A Abaas apresentou ao vice-presidente Geraldo Alckmin propostas para restringir as bets, defendendo bloqueio rápido de sites ilegais, publicidade digital restrita, limitação de cassinos online e controle de transações financeiras, inclusive Pix.

Para o setor, o combate ao vício deveria ficar a cargo do Ministério da Saúde, tratável como política sanitária. A organização sugere políticas públicas de longo prazo semelhantes às adotadas contra o tabaco, visando reduzir impactos sociais.

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