- A Delta Airlines, maior em valor de mercado nos EUA, possui a própria refinaria na Pensilvânia, o que funciona como hedge contra custos de combustível elevados; tarifas foram ajustadas com aumento de cerca de 10% a 15%.
- A parceria com a Latam, desde 2022, representa 10% das ações do grupo e ampliou a capacidade entre América do Norte e Sul em 88% nos últimos três anos; o negócio também fez crescer o transporte de carga, com alta de 65% em 12 meses e 210% nos 12 meses anteriores.
- Um novo acordo transfere a manutenção de parte da frota A320 para o centro da Latam em São Carlos, Brasil, para serviços de componentes da aeronave.
- O plano para a América do Sul inclui modelos Airbus A330 e A350, expansão de destinos e mais espaço de cabines premium e de carga.
- Em sustentabilidade, a Delta aponta o uso de aeronaves de nova geração, combustível de aviação sustentável (SAF) e tecnologias como eVTOL; há expectativa de futuro avião elétrico de corredor estreito, com possível participação da Embraer.
A Delta Airlines enfrenta o desafio de custos elevados de combustível, agravado pela volatilidade do petróleo, em um contexto de guerra e alta dependência de insumos. A companhia, segundo declaração do seu presidente, Peter Carter, aproveita uma posição financeira fortalecida para mitigar impactos, incluindo a posse de uma refinaria própria na Pensilvânia, nos EUA.
Em entrevista realizada no Rio de Janeiro, durante a reunião anual da IATA, Carter descreveu como esse ativo físico atua como proteção, reduzindo o custo de combustível e ajudando a equilibrar tarifas. O executivo destacou também o desempenho de clientes premium e medidas de eficiência operacional para enfrentar o cenário atual.
A parceria com a Latam, firmada em 2022, é apresentada como crucial para lidar com a volatilidade global. A joint venture elevou a capacidade de assentos entre América do Sul e EUA em 88% nos últimos três anos, ampliando a malha e a presença regional.
No âmbito de cargas, a aliança com a Latam acelerou o volume transportado em 65% em um ano, após crescimento de 210% nos 12 meses anteriores. A cooperação é apontada como motor de crescimento diante do comércio eletrônico transfronteiriço.
Uma nova operação envolve a manutenção de parte da frota A320 da Delta no centro da Latam em São Carlos, interior de São Paulo. Aviões que cruzam os céus dos EUA passarão a ser encaminhados para o local brasileiro para procedimentos de manutenção com técnicos nacionais.
No balanço da parceria, Carter ressaltou que a Delta possui cerca de 10% das ações da Latam e vê alinhamento estratégico com foco em experiência do passageiro. O dirigente enalteceu o papel de carga na aliança e a ampliação de serviços para mais destinos a partir de América do Norte.
Sobre planos de aeronaves, a Delta sinalizou expectativa de ampliar a atuação na América do Sul com modelos de nova geração, incluindo Airbus A330 e A350, visando maior eficiência no consumo de combustível e maior capacidade de carga. A estratégia envolve entrega gradual de cabine premium e maior espaço para bagagens.
No âmbito regulatório e econômico, o presidente citou processos competitivos na aquisição de aeronaves, com a participação de fabricantes como Airbus e Boeing. A visão é manter contratos vantajosos sem perder a qualidade técnica, mantendo o Brasil como mercado relevante.
Quanto à sustentabilidade, Carter defendeu o avanço de aeronaves mais eficientes, planejamento de rotas e desativação de APU em solo para reduzir consumo. O uso de SAF recebeu apoio de leis de créditos fiscais em estados norte-americanos, incentivando o desenvolvimento da indústria.
O executivo também mencionou perspectivas para o futuro dos eVTOL e de um avião elétrico de corredor estreito para voos curtos, projetando um papel potencial da Embraer nesse cenário. Embora confiando no talento de inovação, o tom foi cauteloso e centrado em possibilidades.
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