- O Grupo Rão começou a expansão em Portugal em 2018, em Porto, com a marca Sushi Rão, tentando replicar o modelo brasileiro de dark kitchen.
- O principal erro foi subestimar as diferenças do comportamento do consumidor português, que preferem um mix de salão, take away e delivery, com maior exigência de experiência.
- A solução foi adotar um modelo híbrido e reposicionar a marca para um segmento mais premium, o que incluiu estar ligado a celebridades e atletas.
- A expansão em Portugal utiliza franqueados e sócios operadores locais, com investimento médio por unidade entre 80 mil e 100 mil euros; há 11 operações no país, com faturamento de cerca de R$ 18 milhões em 2025 e expectativa de R$ 23 milhões em 2026.
- A gestão avalia entrada em novos mercados europeus, com foco na Espanha, após ajustar o modelo e confirmar a escalabilidade com parcerias adequadas.
O Grupo Rão, holding do Rio de Janeiro, ampliou sua atuação internacional partindo da premissa de que o modelo brasileiro de dark kitchen funcionaria em Portugal. Em 2018, o grupo chegou ao Porto com a marca Sushi Rão, priorizando delivery e cozinhas sem salão. A estratégia inicial foi adotada para reduzir custos e acelerar a expansão.
No entanto, a leitura inicial se mostrou incompleta. O principal equívoco foi supor que o comportamento do consumidor português seria similar ao brasileiro. O mercado local é mais híbrido, com salão, take away e delivery convivendo, além de maior exigência na experiência do cliente.
O erro de leitura do mercado europeu
Essa diferença levou a mudanças estruturais na operação. Em vez de replicar o modelo de dark kitchen, o Grupo Rão adotou um formato híbrido em Portugal, mantendo salão, delivery e take away. O reposicionamento elevou o nível de sofisticação da marca no país.
Essa transformação alterou também o posicionamento: o Sushi Rão passou a atuar em um segmento premium, atraindo celebridades, atletas e influenciadores. O público mais exigente exigiu ajuste operacional e de gestão de qualidade.
Estrutura e expansão no território
A operação portuguesa funciona com franqueados e sócios operadores locais, predominantemente brasileiros, mas com participação de portugueses. O investimento médio para abrir uma unidade fica entre 80 mil e 100 mil euros.
Hoje são 11 pontos em Portugal, com espaço para dobrar ou triplicar a presença no médio prazo. A empresa ressalta a necessidade de crescimento com consistência e escala eficiente.
Resultados e próximos passos
Em 2025, o faturamento da operação portuguesa foi de cerca de R$ 18 milhões. Com as mudanças implementadas, a projeção para 2026 é de R$ 23 milhões, um crescimento de quase 30%.
Entre os lançamentos recentes está o “hot dog japonês”, o chamado dog, que se tornou sucesso de vendas em Portugal e já passa por testes no Brasil. A empresa mira a expansão para novos mercados europeus, especialmente a Espanha.
Conclusão
O que parecia um erro de leitura de mercado acabou funcionando como etapa de aprendizado. A adaptação para um modelo híbrido e o reposicionamento ajudaram a consolidar a presença do Sushi Rão em Portugal, proporcionando base para expansão regional.
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