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Líderes da indústria aérea dizem que meta de zero emissões até 2050 é improvável

Chefes da Iata reconhecem que a meta de net zero até 2050 é improvável, dependente de SAF e de reformas no sistema Corsia

More than half of the decarbonisation plan for aviation depended on the development of sustainable aviation fuel.
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  • Líderes da indústria aeronáutica admitiram que a meta de zero emissões líquidas até 2050 dificilmente será atingida.
  • A maior parte da descarbonização depende dos combustíveis de aviação sustentável; a produção anual de SAF deve chegar a 2,4 milhões de toneladas este ano, 0,8% da demanda de combustível das companhias.
  • O sistema de comércio de emissões Corsia é considerado fragilizado pela inação dos governos, enquanto a meta de redução de emissões de 2030, via SAF, não tem caminho claro para ser cumprida.
  • O diretor-geral da Iata, Willie Walsh, disse que pode surgir um novo prazo realista dentro do contexto de transição energética, com 2050 mais improvável de ser mantido.
  • Entre os fatores estão atrasos na entrega de aeronaves eficientes, falta de reformas no gerenciamento de tráfego aéreo e promessas não cumpridas de fornecedores de combustível.

O setor aéreo admite que a meta de zerar as emissões líquidas até 2050 quase certamente não será alcançada. A afirmação veio de líderes da indústria durante a conferência anual da Iata, realizada no Rio de Janeiro. O acordo global de descarbonização foi anunciado em 2021, com compromissos semelhantes feitos por governos e associações nacionais, iniciados já em 2020 no Reino Unido.

Willie Walsh, diretor-geral da Iata, afirmou que a esperança vem se esvaindo e que é necessário estabelecer um cronograma mais realista. Ele aponta como principais responsáveis pela possível falha fornecedores de combustível, governos e fabricantes de aeronaves, destacando atrasos de entrega de aviões eficientes e falta de reforma nos sistemas de gestão do tráfego aéreo.

Grande parte da descarbonização depende do desenvolvimento de combustíveis de aviação sustentável (SAF) e de um programa global de emissões, o Corsia, ligado às Nações Unidas e à ICAO. Em 2025, a produção anual de SAF deve alcançar 2,4 milhões de toneladas, cerca de 0,8% do consumo de combustível das companhias, com a meta de 500 milhões de toneladas até 2050. A lacuna entre a produção atual e o objetivo é apontada como grande.

Desafios regulatórios e setoriais

Governos, via ICAO, estabeleceram uma redução de 5% de emissões até 2030 através do uso de SAF. No entanto, o setor alerta que não há caminho viável para cumprir esse resultado sem avanços significativos na oferta de SAF e na gestão de tráfego, segundo Walsh. Ele enfatizou que a viabilidade de 2050 depende de mudanças rápidas em várias frentes, o que ainda não ocorreu.

A liderança da indústria também criticou a atuação de fabricantes e fornecedoras de combustível, afirmando que há atraso na entrega de aeronaves mais eficientes e na disponibilidade de combustível renovável. Segundo o executivo, governos precisam intensificar o apoio à produção de SAF e à inovação tecnológica para reduzir as emissões globais.

Perspectivas e impactos políticos

A percepção de que as promessas apresentadas nos últimos anos podem ter sido uma ferramenta de expansão do setor é compartilhada por grupos ambientais. Na prática, a possibilidade de um novo cronograma fica cada vez mais discutida entre governos, especialmente em relação a expansão de infraestruturas como o aeroporto de Heathrow, que depende de avaliações climáticas.

A representante de sustentabilidade da Iata, Marie Owens Thomsen, criticou metas da UE e do Reino Unido para 2030 de SAF, classificando-as como irrealistas sem produção suficiente. A executiva alerta que impor mandatos sem disponibilidade de produção pode elevar preços e prejudicar a implementação.

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