- O valor das operações de capital de risco no setor tecnológico caiu 70% desde o fim do ano passado, para 20 bilhões de dólares, segundo estudo da Bain & Co com dados da Dealogic.
- Não é apenas o número de negócios que recuou: as avaliações também recuaram, com o software registrando queda de cerca de oito por cento no período.
- A desconfiança em relação ao impacto da inteligência artificial reacende preocupações, após a volatilidade das ações no começo do ano ligadas a modelos de IA.
- O setor passa por maior duração de investimentos: os ativos ficam entre seis e sete anos na carteira, e o retorno esperado subiu de cerca de 5% para aproximadamente 12% ao longo do período.
- Mesmo com ativos de maior qualidade sendo vendidos, os mais antigos seguem difíceis de negociar, e instrumentos como veículos de continuação também enfrentam pressão.
O valor das operações de capital risco no setor tecnológico caiu 70% desde o fim do ano passado, chegando a 20 bilhões de dólares. O recuo ocorre conforme investidores ficam mais cautelosos com as avaliações de empresas na era da IA.
Um estudo da Bain & Company, com base em dados da Dealogic, aponta que não é apenas o número de operações que vem reduzido, mas também as avaliações. O software é o segmento mais afetado.
A queda de valor foi maior no software, com revisões de cerca de 8% no período, ante uma queda menor em outros setores. A desconfiança com o impacto da IA é citada como fator central.
A diretora global de private equity da Bain, Rebecca Burack, aponta que o problema é de confiança, não de capital. Empresas de VC têm encontrado dificuldades para vender ativos por preços acima do que pagaram.
Após a Guerra Comercial de 2021, a incerteza sobre IA voltou a pressionar o mercado. Burack indica que a indústria vive uma dinâmica repetida, sem sinais de ruptura no mercado, apesar da desconfiança.
Desafios e dinâmica de mercado
Levantamentos mostram que o uso de alavancagem não tem desobstruído o fluxo de saídas, com distribuições aos investidores em patamares históricos baixos. Muitas companhias permanecem “prisioneiras” de suas carteiras.
Os prazos de permanência dos ativos aumentaram para seis a sete anos, contra três ou quatro anos no passado. Para retorno de 2,5 vezes o investimento, é preciso crescer perto de 12% ao ano, segundo o estudo.
Ativos de maior qualidade encontram compradores, enquanto os mais antigos enfrentam maiores dúvidas de evolução e valor. Veículos de roll-up continuam sob pressão, com grande parte das compras realizadas em 2021 ou antes.
Perspectivas para o setor
Investidores pedem maior estabilidade econômica para fechar operações relevantes. Grandes fechamentos podem ocorrer, mas demandam clareza sobre o cenário econômico vigente.
A análise recomenda que fundos de private equity ajustem estratégias para mitigar o impacto da IA e avaliem novas oportunidades dentro desse contexto tecnológico em transformação.
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