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BRB planeja publicar balanço para conter corrida de liquidez, diz Souza

BRB atrasa divulgação do balanço, ampliando corrida de liquidez; governo negocia empréstimo de até R$ 6,5 bilhões com o FGC para sustentar o banco

Presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, em audiência pública hoje na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado
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  • BRB ainda não divulgou o balanço de 2025, previsto para 31 de março, por auditoria, validação contábil e tramitação regulatória, o que alimenta a corrida de liquidez.
  • Governo e STF apoiam acordo para empréstimo de até R$ 6,5 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos ao BRB, com carência de dois anos e prazo de quitação de quinze anos.
  • A governadora Celina Leão afirmou que o acordo evita intervenção federal; o BRB já aprovou aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões para reforçar o patrimônio.
  • O banco enfrenta perdas ligadas à compra de créditos do Banco Master em 2025; foi criado um fundo de R$ 15 bilhões para administrar ativos relacionados a esse processo.
  • A eventual liquidação do BRB poderia gerar rombo de cerca de R$ 17 bilhões no FGC; o BRB hoje emprega cerca de 5 mil pessoas e tem depósitos judiciais em torno de R$ 30 bilhões.

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou que o balanço da instituição continua pendente, pois depende de auditoria independente, validação contábil e tramitação regulatória. A divulgação tinha prazo original até 31 de março e não ocorreu.

A instabilidade, segundo Souza, alimenta uma corrida de liquidez no BRB, reflexo direto da demora na publicação. A instituição já enfrenta pressão de mercado e necessidade de confirmar resultados de 2025.

Acordo envolvendo União, DF e o BRB, acompanhado pelo STF, pode viabilizar um empréstimo de até R$ 6,5 bilhões junto ao FGC para reforço de capital. O objetivo é assegurar a continuidade operacional dentro do marco legal.

A solução depende da aprovação de um projeto de lei que tramita na Câmara Distrital. O BRB classifica o acordo como essencial para estabilizar a relação entre governança, regulação e estratégia de negócio.

O presidente destacou que o BRB segue operando de forma regular, com melhorias de governança e controle interno, em meio a mudanças administrativas e de estrutura de capital. O objetivo é evitar problemas de liquidez repetidos no passado.

As ações recentes incluem a substituição de dirigentes ligados ao período sob investigação, além de auditorias realizadas por Machado Meyer e Kroll para apurar fatos e reforçar controles internos.

A expectativa é que o aporte federal, com carência de dois anos e pagamento em 15 anos, contribua para a recuperação do BRB. Quem pagar a conta seria o próprio BRB, conforme justificativa apresentada pela governadora do DF.

O saldo de créditos problemáticos envolve compras de ativos ligados ao Banco Master. Em 2025, o BRB assumiu R$ 12,2 bilhões em créditos questionáveis, que foram trocados por outros ativos com dúvidas de valor no mercado.

A aquisição do Master levou o BRB a reservar pelo menos R$ 8 bilhões para cobrir perdas esperadas. O BC pressionou o DF a aportar recursos para fortalecer o patrimônio da instituição.

Para administrar os ativos do negócio com o Master, acionistas aprovaram aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões. Parte do valor deve entrar via dinheiro, parte por meio de cotas subordinadas em um fundo de investimento de R$ 15 bilhões.

O fundo de R$ 15 bilhões reuniria ativos das negociações BRB-Master, com objetivo de monetizá-los. O BRB não detalhou quais ativos compõem o fundo.

O atraso no balanço também envolve o rombo estimado com o Master. Dados sobre o tamanho do prejuízo e as perdas previstas seguem em avaliação contábil e regulatória.

Especialistas apontam que a liquidez do BRB está associada ao sucesso da estrutura criada para gerenciar os ativos do Master. A aprovação regulatória pode facilitar o fluxo de recursos.

Caso haja liquidação, o FGC poderia enfrentar um prejuízo significativo. O ministro citado em reportagem associada estimou um rombo da ordem de bilhões, o que impactaria o sistema financeiro.

Estimativas da imprensa apontam ainda que a liquidação do BRB poderia afetar milhares de trabalhadores, com possibilidade de corte de mais de 5 mil empregos. O banco mantém cerca de 5 mil funcionários diretos.

Além disso, o BRB administra cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais, valores que ficariam congelados em caso de intervenção, prejudicando o fluxo de recursos aos cidadãos.

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