- Analistas da Fitch dizem que o segundo semestre deve ser desafiador para os maiores bancos brasileiros, com juros altos, instabilidade geopolítica e incertezas eleitorais mantendo a pressão sobre crédito e qualidade dos ativos.
- Todos os avaliados — Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e BTG Pactual — registraram deterioração em métricas de qualidade, com intensidade depender da exposição a carteiras mais pressionadas.
- Banco do Brasil enfrenta agravamento de atrasos no agronegócio e maior provisionamento; a Fitch aponta que a piora pode chegar ao pico, mas o cenário macro permanece incerto.
- Bradesco passa por recuperação gradual de um plano de cinco anos, fortalecendo base de capital com maior participação em operações com garantia e expansão na alta renda.
- Itaú e BTG aparecem mais resilientes, com ratings em BB+; o Itaú se beneficia de eficiência operacional e gestão de risco, enquanto o BTG mantém capital confortável e capacidade de acessar mercados de capitais.
Segundo analistas da Fitch Ratings, os maiores bancos brasileiros devem seguir um segundo semestre desafiador diante de juros altos e incertezas eleitorais. A avaliação aponta que o ritmo lento de cortes de juros mantém pressão sobre crédito e qualidade de ativos. A instabilidade geopolítica agrava o cenário.
A Fitch manteve cobertura sobre Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e BTG Pactual. Todos apresentaram deterioração nas métricas de qualidade, com o grau de piora variando conforme a exposição a carteiras mais pressionadas. Provisões contra devedores duvidosos aumentaram no primeiro trimestre.
No BB, o agronegócio puxa atrasos e eleva provisões. A seguradora de crédito aponta que a piora pode estar próxima do pico, mas o cenário macroeconômico segue incerto. A adoção da resolução 4.966 elevou o reconhecimento de perdas, segundo a Fitch.
Conforme a Fitch, as medidas do BB para reduzir o ritmo de reservas devem impactar a rentabilidade ainda este ano. O ROE caiu para 7,3% no 1º trimestre, o pior em cerca de uma década, com Selic em dois dígitos e riscos climáticos relevantes.
Bradesco, por sua vez, mantém sinais de recuperação gradual, fruto de um plano de cinco anos iniciado em 2024. A instituição ampliou operações com garantia e avançou na base de alta renda, fortalecendo capital com a Bradsaúde.
Entretanto, a Fitch observa que o ambiente macro tem dificultado a aceleração de resultados. A depender de condições mais favoráveis, o Bradesco pode acelerar a melhoria de lucros.
Itaú e BTG aparecem como os mais resilientes entre os avaliados. O Itaú se beneficia da eficiência operacional e de gestão de risco, com carteira de crédito bem protegida no segmento agro. A instituição já mantém rating em BB+.
O BTG Pactual também figura resiliente, segundo a agência, com capital robusto e capacidade de acessar mercados de capitais em condições favoráveis, o que contribui para sustentar seu desempenho diante do cenário desafiador.
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