- Crescimento econômico não basta para reduzir pobreza; apesar da riqueza global, grande parte da população ainda sofre carência básica e as crises climáticas continuam, com o norte contribuindo desproporcionalmente para emissões.
- O modelo atual gera desigualdade e exploração ambiental; o grupo aponta que 92% das emissões excedentes vêm do norte e os 10% mais ricos respondem por quase metade das emissões.
- Foi criado um “roteiro para erradicar a pobreza além do crescimento”, desenvolvido por mais de quatrocentas pessoas de organizações internacionais, governos, sociedade civil e movimentos, com mais de 350 signatários.
- Propostas incluem direitos humanos como eixo central, proteção social universal, serviços públicos robustos, controle público de ativos estratégicos e crédito orientado para prioridades sociais e ecológicas.
- A iniciativa destaca a participação de povos indígenas, mulheres, sindicatos e movimentos de justiça climática, defendendo governança econômica global baseada em direitos e indicadores alternativos ao PIB.
O artigo reúne economistas e especialistas que defendem abandonar a ideia de que o crescimento econômico é a única rota para reduzir a pobreza. Em um manifesto, Olivier De Schutter e outros autores afirmam que a atual lógica de crescimento está esgotada e é ecologicamente insustentável. O texto convoca líderes a adotar uma nova trilha baseada em direitos humanos e bem‑estar coletivo.
Segundo os signatários, a pobreza é manufacture, fruto de escolhas políticas sobre impostos, mercados de trabalho, serviços públicos e valorização do cuidado. A promessa de que o crescimento resolve tudo não tem se cumprido; salários estagnam e serviços públicos são cortados, enquanto fortunas concentradas se ampliam.
O documento aponta que o modelo atual acelera danos ambientais, com emissões elevadas e perda de biodiversidade. Destaca que o grupo mais rico é responsável por grande parte das emissões, enquanto países pobres enfrentam choques climáticos e altas vulnerabilidades.
Os signatários defendem uma transição que priorize direitos humanos, proteção social e serviços públicos, sem depender exclusivamente do produto interno bruto. Eles defendem empregos decentes, salários dignos, redes de proteção e participação popular na concepção de políticas.
Proposta para além do crescimento
A roadmap apresentada reúne alternativas para ir além da lógica de crescer, taxar, transferir. Mais de 400 participantes, de agências da ONU a movimentos sociais, contribuíram ao longo de 18 meses. Mais de 350 signatários endossaram o plano.
Entre as propostas estão fortalecimento de sindicatos, garantia de trabalho estável, valorização do trabalho remunerado e não remunerado, e investimentos públicos em moradia, saúde, educação, transporte e energia. A ideia é redirecionar investimentos para prioridades sociais e ecológicas.
A matéria também aponta mudanças nas regras econômicas globais. Defende diálogo norte-sul, dívida justa, cooperação sul-sul e financiamento climático reparador. A participação de comunidades afetadas é destacada como essencial para desenhar políticas eficazes.
Como avançar na prática
Segundo os autores, é preciso governança pública de ativos estratégicos e orientação de crédito para prioridades sociais. O texto sugere protótipos de governança econômica que respeitem autonomias nacionais e direitos fundamentais.
O documento cita exemplos de iniciativas que usam avaliação de direitos humanos para medir progresso, além de estruturas como assembleias cidadãs e economias comunitárias. A meta é tornar a avaliação de políticas mais humana e menos dependente de crescimento.
Os signatários ressaltam que mudanças ocorrem com apoio de instituições internacionais e parceiros locais. A proposta funciona como referência para quem busca erradicar a pobreza sem depender do crescimento como única métrica de sucesso.
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