- Governo vai anunciar 20 terminais logísticos de carga ao longo da Ferrovia Norte-Sul, com foco na integração entre modais; evento ocorre em 11 de junho com participação de embarcadores, BNDES e Ministério dos Transportes.
- Cerca de metade dos terminais já existe; os outros serão implementados, e estima-se que cerca de noventa por cento das cargas serão do agronegócio, especialmente grãos e fertilizantes.
- O conjunto de concessões prevê investimento de aproximadamente R$ 140 bilhões em oito grandes corredores ferroviários, entre eles o Anel Ferroviário Sudeste, Ferrogrão, Malha Oeste e Paraná-Santa Catarina.
- Medidas novas para atrair investidores incluem compartilhamento de riscos pela União, com cobertura integral dos chamados gaps de viabilidade econômica, além de linha de crédito de longo prazo pelo BNDES.
- O ministro dos Transportes, George Santoro, afirma que o objetivo é ampliar a competição e que os editais devem ser publicados ainda neste ano, mesmo com atrasos e necessidade de aprovação no Tribunal de Contas da União (TCU).
Em Brasília, governo federal divulga a estratégia para destravar R$ 140 bilhões em concessões ferroviárias, com foco na Ferrovia Norte-Sul (FNS). O plano prevê 20 leilões de terminais de carga ao longo da malha, com a participação de embarcadores, do BNDES e do Ministério dos Transportes. Cerca de metade já existe; o restante será implementado, visando ampliar a participação do agronegócio na movimentação.
O anúncio foi feito pelo ministro dos Transportes, George Santoro, em entrevista exclusiva ao NeoFeed. O evento de lançamento está programado para ocorrer em São Paulo, na B3, reunindo operadores logísticos, bancos e representantes do BNDES. A expectativa é que 90% das cargas nas novas estruturas sejam relacionadas ao agronegócio, principalmente grãos e fertilizantes.
A carteira de terminais integra a estratégia de interoperabilidade entre modais. Santoro destacou que a ferrovia deve funcionar como espinha dorsal da logística, conectando rodovias e hidrovia, para facilitar o escoamento nacional e internacional. Dos 20 terminais, cerca de 10 já operam, enquanto os demais serão implantados conforme o calendário regulatório.
A reportagem aponta que o governo pretende reduzir riscos para atrair investidores com mecanismos inéditos de compartilhamento de riscos. Entre as inovações, está a possibilidade de a União cobrir integralmente os chamados gaps de viabilidade econômica quando necessários para viabilizar os projetos. A decisão visa ampliar a competição entre consórcios interessados.
Além dos terminais, o governo prepara uma carteira de oito grandes concessões ferroviárias, com várias etapas ainda sob análise do TCU. Santoro afirmou que todos os editais deverão ser publicados até dezembro, mesmo diante de atrasos e ajustes regulatórios. O objetivo é manter o cronograma, evitando uma situação de somente editais sem leilões.
Para ampliar o interesse do mercado, o BNDES também lançará uma linha de crédito com prazos mais longos do que os atuais, ajudando a financiar as obras. A proposta visa melhorar a viabilidade econômica dos projetos, que demanda aportes de capital significativos ao longo de vários anos antes da geração de receitas.
Operadores logísticos, investidores nacionais e estrangeiros monitoram o movimento. Em entrevista, Santoro sinalizou que diferentes grupos, incluindo players europeus e asiáticos, acompanham as propostas e esperam clarificações sobre os modelos de concessão.
O governo avalia ainda que o conjunto de terminais, financiamento de longo prazo e garantias de risco pode aumentar consideravelmente a atratividade das novas concessões ferroviárias. A estratégia busca ampliar a participação do transporte ferroviário na logística brasileira, reduzindo custos e ampliando a competição entre ofertantes.
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