- O varejo farmacêutico registrou vendas de R$ 255 bilhões nos 12 meses até abril, com alta de 11,7%; os medicamentos GLP-1 responderam por 85% desse crescimento.
- Vendas de GLP-1 atingiram R$ 14,6 bilhões, avanço de 110% em 12 meses, correspondendo a 5,7% de todos os remédios vendidos no país.
- 4,6% dos domicílios consomem GLP-1; nos Estados Unidos esse faturamento chega a 12%.
- O medicamento deve chegar ao mercado na próxima semana pela EMS, custando cerca de R$ 300 por mês nos primeiros três meses; especialistas citam possível economia em outros gastos, mas sem guerra de preços.
- A falta de incorporação ao SUS e ao rol da ANS é apontada como fator que sustenta o mercado paralelo e limita o acesso público, com preocupações sobre custos de curto prazo e impactos na sinistralidade.
O varejo farmacêutico brasileiro registrou vendas de 255 bilhões de reais nos 12 meses até abril, alta de 11,7% frente ao período anterior. Os medicamentos GLP-1 responderam por 85% desse crescimento, elevando a expansão caso esses fármacos não fossem considerados para 8,6%.
Dados da IQVIA apresentados em evento organizado pela Pague Menos e pelo Itaú BBA em São Paulo mostram que as vendas de GLP-1 chegaram a 14,6 bilhões de reais, com alta de 110% no último ano. Hoje representam 5,7% de todos os remédios vendidos no país.
A NielsenIQ aponta que 4,6% dos domicílios brasileiros consomem GLP-1, ainda abaixo dos 12% observados nos EUA. Entre os não usuários, o principal obstáculo é o preço, citado por 16%, seguido de medo de efeitos colaterais (10%), desconhecimento (7%) e falta de interesse (62%).
A EMS, primeira farmacêutica autorizada pela Anvisa a comercializar o GLP-1, informou que o medicamento deve chegar ao mercado na próxima semana com preço inicial próximo de 300 reais por mês, nos primeiros três meses. Executivos destacam que o custo pode variar com a entrada de novos concorrentes, sem promoção agressiva de preços.
Para o mercado, o valor por dia fica próximo de 10 reais, segundo o EVP Marcus Sanchez, que diz que benefícios em alimentação e outros medicamentos podem compensar o gasto. A possibilidade de queda de preços depende da concorrência regulada, sem uma guerra de valores entre empresas.
A Pague Menos mostrou o case Poviztra, resultado de parceria entre Eurofarma e Novo Nordisk. Entre março e abril, com desconto médio de 41%, o volume vendido cresceu 178%, evidenciando sensibilidade de demanda a preço.
Leonardo Bia, VP da Novo Nordisk, ressaltou o que chama de vácuo assistencial: GLP-1 não está no SUS nem no rol da ANS, o que favorece o mercado informal. Para Vicente Lapenta, da Porto Saúde, a incorporação no rol da ANS pode reduzir custos dos planos a longo prazo.
No curto prazo, o desafio é o desembolso inicial para adquirir os remédios, com projeção de aumento da sinistralidade. A Porto Saúde avalia que o custo hoje pode ser compensado amanhã pela queda de internações, que respondem por metade das despesas das operadoras.
Executivos afirmam que o governo federal não deve incluir o GLP-1 no SUS em breve, devido à disponibilidade de recursos. Prefeituras e alguns governos estaduais podem, contudo, agir de forma mais ágil para ampliar o acesso nos próximos meses.
Para EMS, Novo Nordisk e Lilly, a maior ameaça não é a concorrência entre farmacêuticas, mas o mercado ilegal de GLP-1, incluindo contrabando e uso irregular. Segundo Marcus Sanchez, 75% do que é comercializado no país envolve medicamentos manipulados ou de origem irregular.
Além do setor farmacêutico, empresas de outros segmentos sinalizam impactos ainda incipientes. Heineken observa consumo mais contido, com esforço em oferecer opções com menor teor calórico. Riachuelo reduziu a grade de tamanhos e prevê queda de quase 6% no mercado plus size em 2026.
O setor de transporte também comenta resultados: o CEO da Azul, John Rodgerson, estima economia de combustível se clientes adotarem hábitos mais saudáveis, projetando redução de cerca de 3 milhões de reais mensais.
Jonas Marques, CEO da Pague Menos, menciona impactos no controle de compulsões associadas ao GLP-1, destacando que ainda há mudanças sociais em curso. Ricardo Guerra, da Wellhub, vê o GLP-1 como melhora na saúde pública após décadas de quadro deteriorado.
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