- A Anfavea prevê que apenas quatro ou cinco marcas chinesas irão sobreviver no mercado brasileiro, com as demais encerrando operações “no meio do caminho”.
- Mais de vinte marcas chinesas de carros chegaram ao Brasil nos últimos três anos, mas o mercado deve desinchar nos próximos anos, segundo o presidente da associação, Igor Calvet.
- A tendência global é de fusões e aquisições para sustentar investimentos em eletrificação e inteligência artificial; no Brasil, esse movimento deve atingir também a cadeia de fornecedores locais.
- Calvet cita o exemplo da BYD como vencedora na China e alerta que o Brasil corre risco de perder relevância se não mantiver sua indústria e engenharia.
- Para evitar o encolhimento, ele defende a criação de um Inovar-Auto 2 e financiamento público mais robusto para autopeças e montadoras, sob a necessidade de não depender apenas de decisões de matriz estrangeira.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirma que o mercado brasileiro de automóveis deve passar por uma fase de consolidação com fusões e encerramento de operações. Segundo ele, apenas quatro ou cinco marcas chinesas devem permanecer no Brasil, enquanto o restante deve sair do mercado.
Calvet concedeu entrevista ao Jornal do Carro durante o evento Anfavea Visions, na quarta-feira 10. Ele explica que o universo de investimentos necessários para lançar um carro novo, estimado em 2,5 bilhões de reais, incentiva a concentração entre poucos players fortes.
O dirigente argumenta que o governo chinês reforça a lógica darwinista de sobrevivência entre marcas de veículos elétricos e híbridos, citando a BYD como exemplo de consolidada vencedora. Ele avalia que o movimento de fusões deve se intensificar globalmente e atingir a cadeia de fornecedores brasileiras.
Ainda que várias marcas chinesas não permaneçam a longo prazo, Calvet teme que a pressão de custos e a entrada de novos players coloquem em risco as fabricantes tradicionais instaladas no Brasil. O recado é de que o modelo atual de produção local pode exigir mudanças para manter competitividade.
Em visão de longo prazo, o conjunto de montadoras pode repensar o volume de fabricação no país. A referência é o caso da Austrália, onde cortes de subsídios levaram à desindustrialização e à predominância de veículos importados. O Brasil, segundo ele, não pode abrir mão de sua estrutura industrial.
Para sustentar o Brasil como o sexto maior mercado automotivo e o oitavo maior produtor, Calvet diz que é essencial manter a indústria e a engenharia locais. Caso contrário, o fechamento de fábricas pode ocorrer com velocidade maior do que o esperado.
Ele aponta que a política pública atual, representada pelo Move, não basta para conter a invasão de importados. A sugestão é pela adoção de um Inovar-Auto 2, com foco em financiamento barato para fornecedores e maior presença de apoio governamental na cadeia de autopeças, que são, em sua maioria, mais vulneráveis a investimentos elevados.
Calvet ressalta que o Brasil não pode depender apenas de autorregulação do mercado. Enquanto algumas marcas chinesas devem deixar o país nos próximos anos, a indústria brasileira precisa de incentivos para sobreviver, especialmente para manter a cadeia de autopeças integrada ao polo nacional.
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