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Jovem formado em Oxford, sem empregos, enfrenta queda na carreira

Cerca de um milhão de jovens entre 16 e 24 anos no Reino Unido estão NEET, enfrentando queda de renda, isolamento e desafios de acesso a empregos

Composite: Guardian Design; Getty Images/alexsl
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  • Aproximadamente 1 milhão de jovens de 16 a 24 anos no Reino Unido não estão em emprego, educação ou treinamento (NEET), cifra que pode chegar a 1,25 milhão no início dos anos 2030 sem ações do governo.
  • Thomas, 24 anos, desempregado há mais de um ano em Warrington, recebe cerca de £311 por mês de benefício universal e registrou cerca de 2 mil candidaturas a vagas, com retorno quase nulo.
  • Hannah, 24 anos, graduada em idiomas pela Universidade de Oxford, está sem trabalho desde 2024 e recebe £316 mensais; ela enfrenta dificuldades para competir com candidatos com mais experiência e teme o avanço de IA.
  • O relatório de Alan Milburn aponta múltiplos obstáculos para os NEETs, incluindo custo de vida, transporte e habitação, além de prever agravamento do problema caso não haja políticas públicas efetivas.
  • Organizações de apoio, como a instituição de caridade Sohaila, destacam que programas de qualificação e apoio à empregabilidade devem acompanhar oportunidades de moradia estável, para evitar queda de jovens à vulnerabilidade social.

Em meio a uma crise de desemprego entre jovens, cerca de 1 milhão de pessoas de 16 a 24 anos no Reino Unido não trabalham, estudam nem participam de atividades formativas. O grupo enfrenta barreiras que vão além da economia, incluindo transporte, moradia e acesso a oportunidades.

Thomas, de 24 anos, mora em Warrington e recebe 311 libras de benefício mensal. Após perder o emprego como gerente de pub em outubro de 2024, ele tenta cerca de 2 mil candidaturas sem retorno relevante. O orçamento mensal fica em torno de 25 libras após as contas.

A rotina dele envolve poucos atrativos: alimentar o cachorro, buscar empregos e encarar recusas repetidas. A alimentação envolve refeições congeladas baratas compradas semanalmente no supermercado, com frequência desprezada por repetidas tentativas. A vida social também diminuiu.

A verdade de Thomas reflete a situação de muitos jovens no país. O relatório de Milburn sobre jovens e trabalho aponta que quase 82 mil jovens entre 16 e 24 anos estão na condição de NEET (não em emprego, educação ou treinamento). Projeções dominantes indicam aumento para 1,25 milhão até o início dos anos 2030 sem ações urgentes.

Para jovens como Hannah, do sul da Inglaterra, um diploma de Oxford não garante mercado de trabalho. Desde a formatura em 2024, ela está desempregada e luta para conquistar entrevistas. O retorno de resultados em processos seletivos tem sido lento e desanimador, com ofertas que não se concretizam.

Hannah recebe 316 libras mensais de apoio e enfrenta dilemas práticos, como a necessidade de dirigir para cumprir alguns requisitos de vagas. Ela descreve entrevistas com dinâmicas de grupo que parecem pouco conectadas com a realidade. O uso de inteligência artificial também é tema de preocupação no mercado de trabalho.

Ao longo do país, a falta de oportunidades afeta não apenas a renda, mas o bem-estar mental. Profissionais de políticas públicas destacam que a persistência de NEETs impacta a vida social e psicológica dos jovens, com consequências de longo prazo. Um eventual “Novo Pacto” para jovens foi citado como solução.

Casos regionais ilustram dificuldades adicionais. Leo, de 24 anos, em Cheshire, aponta problemas de transporte para chegar a empregos distantes, dificultando a busca por oportunidades. David, de Peterborough, também relata frustração com o retorno baixo ou nulo em candidaturas frequentes a vagas de início de carreira.

Em cidades menores, organizações de apoio ressaltam que programas de treinamento ajudam, mas a escala é limitada. Empresas com atuação local destacam que a adoção de IA muda o cenário, substituindo tarefas repetitivas e reduzindo vagas para jovens aprendizes. A força de trabalho jovem precisa de escolhas reais.

Enquanto isso, o relatório reforça a necessidade de políticas públicas que promovam um mercado de empregos específico para jovens, com opções diversas, acesso a transporte e moradia estável. Sem isso, a trajetória de muitos NEETs pode permanecer em frágil equilíbrio.

Professores e especialistas lembram que a educação precisa preparar jovens para um futuro incerto, com maior flexibilidade e adaptabilidade. A situação atual demanda ações coordenadas, com investimento em programas de formação, estágios e apoio contínuo para quem busca inserir-se no mercado.

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