- O COO da Serra Verde, Ricardo Grossi, afirmou que a mineradora ajuda a precificar terras-raras fora da China, que concentra 90% do mercado mundial.
- A Serra Verde opera, em Goiás, a única mina comercial ativa de terras-raras do Brasil e é a única mineradora fora da Ásia a produzir os 4 elementos magnéticos essenciais.
- A referência de preço criada pela empresa pode orientar novos projetos de exploração no país e investidores, refletindo custos reais de extração e processamento sem subsídios chineses.
- A fusão com a norte-americana USA Rare Earth, concluída em abril, prevê cooperação tecnológica e acesso ao mercado dos Estados Unidos, visando diversificar fornecedores.
- A operação gerou críticas de setores da esquerda e do governo federal por supor perda de soberania; até a fusão, a Serra Verde era controlada por private equity dos EUA e do Reino Unido.
O COO da Serra Verde, Ricardo Grossi, afirmou nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, que a mineradora brasileira cria uma referência de preços de terras-raras fora da China, hoje responsável por cerca de 90% da produção mundial. O comentário foi feito durante o Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos do Ibram.
A Serra Verde atua em Goiás e opera a única mina comercial de terras-raras em funcionamento no Brasil. A empresa também é a única mineradora fora da Ásia a produzir os quatro elementos magnéticos essenciais desse grupo. Grossi aponta que a referência de preços pode atrair novos projetos no país.
A avaliação é de que a referência de preços fora da China facilita a comparação por investidores e compradores, incentivando contratos de offtake e precificação mais alinhada à realidade de custos de extração e processamento em um ambiente competitivo.
Contexto de mercado e impacto
Segundo o executivo, o domínio chinês sobre a cadeia produtiva é robusto em várias etapas, o que aumenta a necessidade de referências independentes para o setor. A iniciativa da Serra Verde pode orientar novos players a estruturar seus modelos de negócios.
Grossi comentou ainda que a empresa busca ampliar o acesso a mercados fora da Ásia, especialmente por meio de parcerias e financiamento, para reduzir a dependência de fornecedores únicos. A operação brasileira é apresentada como exemplo de precificação mais transparente.
Fusão com USA Rare Earth
O COO mencionou que a fusão com a norte-americana USA Rare Earth, concluída em abril, visa facilitar acesso a tecnologia e financiamento, além de abrir espaço para atuação no mercado dos Estados Unidos. A operação brasileira passa a integrar essa estratégia de expansão.
A parceria inclui cooperação tecnológica e a possibilidade de inserir a Serra Verde em grandes projetos no exterior, ampliando fontes de investimento e formação de capacidade tecnológica. Diversos setores acompanharam a evolução do negócio com cautela.
Histórico e contexto histórico
Antes da fusão, a Serra Verde era controlada pelos grupos de private equity Denham Capital e EMG, dos EUA, e Vision Blue, do Reino Unido. O acordo recente altera o equilíbrio de controle, com ganhos potenciais em tecnologia e acesso ao mercado norte-americano.
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