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Agronegócio no interior de SP impulsiona economia, mas precariza o trabalho

Expansão da cana em Araraquara impulsiona a economia, mas aumenta precarização, desemprego e concentração fundiária no campo

Fotografia em plano geral mostrando uma estrada de terra batida vermelha que corta uma vasta plantação de monocultura de cana-de-açúcar, sob um céu nublado.
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  • Pesquisador Anderson Santos, da USP, analisa como a expansão da cana-de-açúcar em Araraquara, interior de São Paulo, afeta as relações de trabalho e a vida no campo.
  • A monocultura impulsionou a economia local, com crédito, mecanização e investimentos, mas reduziu empregos rurais e precarizou vínculos de trabalho, levando trabalhadores a longos deslocamentos e à dependência de atividades urbanas.
  • A região passou a ser polo da produção de cana desde a década de sessenta, com políticas de modernização, crédito rural facilitado e infraestrutura de escoamento, fortalecendo a presença do setor sucroenergético.
  • Grandes grupos passaram a comprar ou arrendar terras, aumentando a concentração fundiária e a specialização da produção, o que ampliou a distância entre trabalhadores e a terra.
  • A tese apresentada em 2026 aponta contradições entre o crescimento de commodities e a piora das condições de vida para trabalhadores rurais, com publicação prevista na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.

Desde a década de 1960, a região de Araraquara, no interior de São Paulo, passou por uma transformação rural impulsionada pela monocultura de cana-de-açúcar. A expansão visa produção de açúcar e etanol, substituindo lavouras de subsistência e pomares de laranja por grandes plantações.

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo analisa os impactos dessa expansão sobre o trabalho no campo. O geógrafo Anderson Santos, da FFLCH, aponta que o crescimento da produção para o mercado internacional fortaleceu a economia local, mas trouxe efeitos sociais negativos, como desemprego no campo e precarização das relações de trabalho.

Segundo o estudo, muitos proprietários passaram a arrendar terras a usinas e dependem de empregos urbanos. O trabalho tornou-se mais sujeito a deslocamentos diários e vínculos formais reduziram, ampliando a vulnerabilidade dos trabalhadores rurais.

A tese Da crise do capital à crise da sociedade do trabalho foi apresentada ao Departamento de Geografia da FFLCH em abril de 2026, sob orientação do professor Anselmo Alfredo. O trabalho reúne relatos de pequenos proprietários, produtores, colhedores de laranja e trabalhadores do setor.

Araraquara, polo do agronegócio sucroenergético

A pesquisa contextualiza o papel da região como centro estratégico da indústria canavieira, apoiada por políticas públicas desde os anos 1960, com crédito rural, incentivos e infraestrutura para escoamento da produção. A Proálcool de 1975 também foi cited como marco relevante.

A partir dos anos 1990, a abertura econômica e a demanda internacional aumentaram a expansão da cana, com financiamentos e títulos como CPRs facilitando a captação de recursos. Grandes grupos passaram a ampliar áreas por meio de compra e arrendamento, consolidando a cana como atividade dominante.

Contradições do agronegócio

A pesquisa revela que, apesar da integração ao mercado global, a população rural enfrentou maior vulnerabilidade social e desemprego. O trabalho destaca a mudança na relação com a terra e a reprodução social frente à modernização agrícola.

O orientador Alfredo comenta que o estudo amplia o debate sobre impactos sociais da expansão agroindustrial no Brasil. A tese analisa não apenas indicadores econômicos, mas a vida dos trabalhadores rurais.

A defesa ocorreu na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e a publicação está prevista na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP. O material também traz depoimentos de produtores locais e trabalhadores afetados.

Para contato com o autor, utilize os contatos oficiais da USP. As informações são fornecidas pela instituição para fins de referência acadêmica.

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