- O Copom chegou à metade da agenda de reuniões de 2026, com a decisão sobre a Selic prevista para o dia 17 de junho.
- Economistas ligados à B3 apostam pela manutenção da Selic em 14,5% ou queda a 14,25%, marcando o terceiro recuo do ano; a possibilidade de alta é improvável.
- O ambiente político preocupa o BC: há dois diretores do Banco Central sem aprovação pelo Senado, o que aumenta a cautela diante da eleição de outubro.
- Dados de maio mostram piora nos PMIs (industrial, serviços e composto), enquanto abril indicou força setorial; a projeção de PIB pode subir para cerca de dois por cento neste ano.
- O cenário externo de aperto monetário global e o calendário eleitoral nacional no curto prazo reforçam a necessidade de evitar leituras sobre decisões políticas do Copom e manter a estabilidade da curva de juros.
O Copom chega à metade do cronograma de 2026 ao anunciar a próxima Selic nesta quarta-feira, 17 de junho. A taxa está em 14,5%, ainda histórica, com o mercado considerando nova queda de 0,25 ponto já neste ciclo, para 14,25%, ou manutenção do patamar. Há, porém, quem projete alta da Selic, ainda que essa possibilidade seja vista como improvável.
O cenário central envolve a continuidade da calibração da política monetária diante de um quadro fiscal e eleitoral delicado. A instituição atua em meio a eleições presidenciais no horizonte, o que impõe cautela na comunicação de movimentos de juros para não gerar volatilidade adicional no mercado.
A agenda de 2026 reserva encontros de agosto, setembro, novembro e dezembro, que ficarão para definição futura. Economistas avaliam que o Banco Central pode buscar estabilidade da inflação em torno de 3% com o objetivo de controlar o avanço da dívida pública, que passou de 80% do PIB em abril, em meio a pressões fiscais e custos da dívida.
Contexto externo e interno
Indícios de desaceleração da atividade econômica no segundo semestre sustentam a expectativa de novos ajustes graduais na Selic. Analistas destacam desaceleração de indicadores como PMI Industrial, que caiu para 49,1 pontos em maio, indicando retração. O PMI Serviços também recuou, para 50,4, mantendo o patamar próximo da fronteira entre expansão e contração.
O ambiente internacional aponta ritmo de alta de juros em países como Japão, Austrália, Inglaterra e Suíça, frente à inflação pressionada pelo petróleo e aos conflitos geopolíticos. Mesmo assim, o impacto direto sobre o Copom e a política monetária brasileira depende da trajetória doméstica da inflação e da atividade econômica.
A combinação de calendário eleitoral e expansão fiscal recente é citada por analistas como fator que limita movimentos agressivos na política de juros. A leitura é de que o Copom deve evitar sinais que possam ser interpretados como alinhamento com candidaturas, mantendo distância de decisões que possam influenciar a percepção sobre o cenário fiscal e a trajetória da dívida.
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