- O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos conduzem uma “missão secreta” para ajudar navios-petroleiros a passar pelo estreito de Hormuz, sem que o Irã soubesse.
- Trump afirmou, em rede nacional, que cerca de duzentos navios teriam saído pelo estreito desta forma, transportando mais de 100 milhões de barris de petróleo.
- Segundo a imprensa, o envio de navios com AIS desligado para evitar detecção ocorre há meses, com operações de escolta por parte de veículos autônomos, aeronaves e drones.
- Dados de monitoramento indicam que cerca de 25% dos navios presentes no início da crise conseguiram deixar a região; ainda assim, o registro exato é difícil por causa dos AIS desligados.
- Analistas apontam que, apesar de volumes ainda abaixo dos níveis pré-crise, há indícios de que mais petróleo esteja chegando ao mercado por meio de transições entre navios e remansos no Golfo de Omã, com impactos mistos nos preços.
Donald Trump afirmou, em discurso televisionado, que os Estados Unidos conduziram uma “missão secreta” no estreito de Hormuz para ajudar os produtores do Golfo a contornar o bloqueio imposto pelo Irã. Segundo ele, centenas de petroleiros teriam saído do canal à noite, com os transponders desligados, sem que o Irã percebesse.
Em resposta, o secretário de Energia dos EUA disse em audiência no Congresso que não tinha conhecimento de uma operação que tenha movido milhões de barris, embora tenha confirmado que o Exército ajudou a retirar parte do petróleo da rota. Relatos de fontes abertas indicam operações de escolta noturna por parte de unidades não identificadas.
Dados de monitoramento sugerem que o número de navios no estreito retomou parte das atividades, embora ainda abaixo dos níveis pré-crise. A Lloyd’s List aponta operações de “shadow transits” com uso de veículos autônomos, aeronaves e drones para guiar tanques pela parte sul do estreito, próximo à costa de Omã.
Segundo a publicação, os navios vazios cruzam o canal, transferem cargas para outros navios já no Golfo de Omã e retornam ao Golfo para recarregar. Richard Meade, editor-chefe da Lloyd’s List, destacou que as transações ocorrem em condições de baixa visibilidade.
Antes da crise, a média diária de transações pelo estreito ficava em 138 navios, segundo o Centro Conjunto de Informações Marinhas. No auge da tensão, esse número foi estimado em nível mensal para março, segundo a Lloyd’s List.
Atualmente, cerca de 25% dos navios que estavam no Golfo no início do conflito teriam deixado a região, de acordo com a Lloyd’s List. Ainda assim, o fluxo total de petróleo pode ser maior, já que muitos navios operam com AIS desligado durante as transições.
Análises apontam que as transferências entre navios podem ter movido, em média, 1,9 milhão de barris de petróleo por dia desde abril, com picos de 2,1 milhões em maio, segundo a Kpler. Outros relatos sugerem números ainda maiores de acordo com avaliações de bancos.
Mesmo com dificuldades de rastreio, o mercado tem observado queda recente nos preços do petróleo Brent, abaixo de 93 dólares por barril. Analistas de bancos de investimento estimam volatilidade elevada à frente, com projeções variadas para o curto prazo.
Especialistas consideram que, mesmo com volumes clandestinos, o bloqueio permanece ativo e a normalização de fluxos pode demorar. A dinâmica geopolítica e a demanda global continuam a influenciar os preços e as expectativas do mercado.
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