- A Iata aponta que a alta dos combustíveis deve continuar mesmo com possível redução das tensões no Oriente Médio, mantendo patamares elevados nos próximos meses.
- Desde janeiro, o querosene de aviação subiu 54,5%; em junho, a Petrobras anunciou queda de 14,2% no preço a partir do dia 1º.
- O fechamento do Estreito de Hormuz impactou o abastecimento global, levando companhias a replanejar rotas para trechos mais lucrativos.
- A indústria estima gasto de cerca de US$ 350 bilhões em combustível neste ano, representando cerca de 31% dos custos operacionais das aéreas.
- Latam e Azul indicam efeitos sobre custos e demanda: o preço elevado tende a manter as passagens caras por meses e pode levar ajustes de capacidade, com impactos na conectividade e na economia.
A alta dos combustíveis deve permanecer mesmo com eventual redução das tensões no Oriente Médio, segundo executivos e líderes do setor durante a Assembleia Geral Anual da Iata. A indústria já trabalha com cenários de elevação de preços nos próximos meses.
O estreito de Hormuz segue influenciando o abastecimento global de petróleo, o que impacta o setor de aviação. Mesmo com pressões, não há expectativa de escassez de querosene de aviação, conforme avaliação da Iata após ajustes de produção globais.
A Iata aponta que o custo do combustível domina as despesas do setor, não a disponibilidade. O diretor-geral Willie Walsh destaca elevada preocupação com o preço do petróleo e com o repasse desses custos às passagens.
Conforme dados da entidade, as companhias devem gastar cerca de US$ 350 bilhões com combustível neste ano, cerca de 31% dos custos operacionais. Esse peso explica a atenção contínua aos preços de energia pela indústria.
Para Roberto Alvo, CEO da Latam, a alta não deve ser passageira, mesmo que o conflito se encerre. A recomposição de estoques e ajustes de capacidade são citados como respostas para manter a rentabilidade.
Alvo ainda afirma que a demanda por viagens permanece resiliente, mesmo com a alta dos combustíveis. O executivo aponta que, se os preços permanecerem elevados até 2027, é possível um reequilíbrio na oferta de voos.
Kamil Alawadhi, vice-presidente da Iata para África e Oriente Médio, destaca que o combustível representa 30% a 40% dos custos de uma empresa aérea. Em cenários de alta repentina, as passagens precisam acompanhar os custos para evitar prejuízos.
O impacto financeiro pode se estender, segundo o dirigente, e influenciar a disponibilidade de voos. Parte das tarifas já é vendida com antecedência, o que dificulta ajuste rápido diante de mudanças de preço.
John Rodgerson, CEO da Azul, reforça que o Brasil enfrenta um dos combustíveis mais caros do mundo. O executivo aponta que o custo elevado pressiona operações, reduzindo a oferta de voos e aumentando a inflação associada ao transporte.
Dados de Latam indicam expectativa de redução de cerca de 3% na capacidade em julho, reflexo direto do aumento de custos com combustíveis. No cenário internacional, a precificação do querosene também é tema de debate.
Especialistas lembram que a alta global afeta economias nacionais, mesmo quando a produção local é significativa. Pontos sobre a formação de preços e a dependência de referência internacional aparecem entre as análises.
Hemant Mistry, diretor de combustíveis da Iata, questiona o modelo de precificação no Brasil, apontando custos adicionais de transporte que pesam sobre o preço final. A discussão envolve o equilíbrio entre oferta local e custos logísticos.
A notícia mostra que manter a estabilidade operacional requer ajustes constantes na precificação, na capacidade de frota e na gestão de estoques, diante de um cenário de combustíveis caros no curto e médio prazo.
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