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Empregos verdes no Brasil estagnam há 10 anos e afetam menos favorecidos

Empregos verdes somam 16% dos postos, com estagnação recente e desigualdade na concentração de negros, pardos e indígenas em setores mais poluentes

Distribuição comunitária de energia solar. — Foto: Divulgação / MME
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  • Empregos verdes representam 16% do total de postos de trabalho no Brasil, e essa fatia continuou estável entre 2014 e 2024.
  • O estudo indica que trabalhadores negros, pardos e indígenas estão concentrados em setores mais poluentes e com menor escolaridade e renda, sustentando desigualdade na transição.
  • Salários geralmente são mais altos em empregos verdes do que em marrons, mas essa vantagem desaparece entre quem tem ensino superior.
  • Os autores defendem políticas que integrem indústria, emprego, educação e requalificação, privilegiando cadeias produtivas verdes com maior potencial de expansão doméstica.
  • A indústria automotiva surge como o setor verde com maior efeito indireto de empregos, sugerindo foco em electrificação, baterias e componentes locais.

Empregos verdes no Brasil continuam estagnados em 16% do total de postos de trabalho, segundo estudo da UFRJ para o projeto DIP-BR. A pesquisa acompanha dados de 2014 a 2024, mapeando padrões de evolução e distribuição setorial.

O estudo utiliza microdados da PNAD Contínua integrados a tabelas de insumo-produto. Classifica atividades em verdes, marrons e neutras, com foco na proteção ambiental, impactos diretos e cadeias produtivas.

Entre 2014 e 2024, a participação de empregos verdes permanece fixa em 16%. Em contrapartida, empregos marrons caem pouco, e neutros avançam, sinalizando realocação lenta no mercado de trabalho.

Desigualdades na transição

Trabalhadores negros, pardos e indígenas seguem concentrados em setores mais poluentes e vulneráveis à descarbonização, com menor escolaridade e remuneração. Sem políticas de requalificação, a transição pode ampliar desigualdades.

Ao observar salários, empregos verdes costumam pagar mais que marrons. No entanto, entre quem tem ensino superior, salários nos setores marrons e neutros superam os verdes, dificultando atração de profissionais qualificados.

Os autores defendem articulação entre políticas industriais, educação e emprego, priorizando setores verdes com encadeamento produtivo forte. É essencial programas de formação para trabalhadores vulneráveis.

Potencial de desenvolvimento e políticas públicas

O multiplicador de empregos é mais determinado pela posição na cadeia produtiva do que pela intensidade de mão de obra. Expandir cadeias domésticas em áreas verdes gera mais empregos.

A indústria automotiva aparece como o maior gerador indireto de empregos verdes, com multiplicador de 7,44. Isso reforça a necessidade de políticas que integrem eletrificação, produção local de baterias e eletrônica.

Entre 2014 e 2024, marrons recuaram de 62,5% para 59,3% do total, neutros cresceram, e verdes permaneceram estáveis. Salários reais avançaram em todas as categorias, ampliando a diferença entre verdes e marrons.

O estudo conclui que a transição verde exige atenção às cadeias produtivas e aos trabalhadores mais vulneráveis. Sem ajustes, a mudança pode manter ou agravar desigualdades existentes.

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