- Os BookTokers estão dinamizando o mercado editorial brasileiro, com a capital Brasília como exemplo de crescimento e engajamento digital.
- Em 2025, o setor registrou venda de 60 milhões de livros e receita de R$ 3,08 bilhões.
- O Distrito Federal tem 52% da população como leitora ativa, acima da média nacional de 47%.
- A Biblioteca Nacional de Brasília teve aumento de 79% nos novos cadastros e 66% nos empréstimos em relação a 2023.
- A hashtag #BookTokBrasil acumula mais de 3 bilhões de visualizações nos últimos 12 meses, impulsionando criadores locais para destaque nacional.
A cena editorial brasileira ganha fôlego com a ascensão dos booktokers, criadores que usam o TikTok para resenhas, desafios e recomendações de leitura. A tendência, descrita pelo escritor Gabriel Mattos, mostra que o formato altera tanto a escrita quanto a leitura no país.
Dados recentes indicam que o Distrito Federal acompanha o movimento nacional, mas com indicadores acima da média. Em 2025, o setor registrou 60 milhões de livros vendidos e 3,08 bilhões de reais em receita, enquanto Brasília apresenta índices de leitura mais elevados que a média brasileira.
A Pesquisa Retratos da Leitura 2024 aponta que 52% da população do Distrito Federal é leitora ativa, frente a 47% no Brasil. A Biblioteca Nacional de Brasília apresentou crescimento de 79% nos cadastros e 66% nos empréstimos comparando 2023 com 2024, sinalizando dinamismo local.
O panorama regional também chama atenção ante a queda de penetração de leitores na Região Centro-Oeste, que em 2024 atingiu 13% de compradores de livros, segundo o Panorama do Consumo de Livros. O sucesso local é atribuído ao poder de redes sociais na viralização de títulos.
Para Mattos, o BookTok amplia a circulação de obras e modifica a forma de escrita. Autores passam a planejar diálogos e cortes curtos para favorecer o engajamento, segundo o pesquisador. Em Brasília, a combinação de leitura elevada e alcance digital facilita a atuação de criadores nacionais.
Desempenho de mercado
O setor cresceu 8% entre 2024 e 2025, mas há dúvidas sobre o impacto real na quantidade de leitores. O autor avalia que o aumento de vendas pode não significar mais leitores, mas sim maior consumo de conteúdos. Dados da Retratos da Leitura apontam, pela primeira vez, que não leitores superam leitores no país.
Para Mattos, o fenômeno tem lados positivos e negativos. Por um lado, democratiza o acesso e atrai novos leitores; por outro, a lógica de performance pode favorecer o consumo rápido em detrimento da leitura aprofundada. O pesquisador inicia doutorado sobre o tema, buscando compreender esse equilíbrio.
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