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Eco Invest vira maior prova da economia real do clima, afirma Marcelo Furtado

EcoInvest demonstra economia real do clima, com bilhões em jogo e financiamento público-privado impulsionando a transição brasileira rumo à COP31

Marcelo Furtado, head de sustentabilidade da Itaúsa: "Resolver a crise climática é um bom negócio que transforma a nossa economia e a torna positiva para o clima, natureza e pessoas" (Eduardo Frazão)
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  • EcoInvest é apontado como a maior evidência da economia real ligada à crise climática, segundo Marcelo Furtado, no ESG Summit 2026.
  • No leilão mais recente voltado à Amazônia, foram movimentados mais de R$ 13 bilhões; rodada anterior somou R$ 15 bilhões, com R$ 8 bilhões captados pelo Itaú.
  • A base de 128 soluções climáticas prontas, com linhas de financiamento ativas ou em estruturação, orienta o Brasil rumo à COP31 na Turquia.
  • A adaptação climática é apresentada como tema estratégico de negócios, com exemplos como o uso de biometano no portfólio Itaúsa e foco em escolas para reduzir impactos de eventos extremos.
  • O EcoInvest é visto como instrumento sofisticado para atrair capital verde, unindo dinheiro público e privado e valorizando ativos naturais não precificados, com Itaúsa atuando como alocadora de capital.

Marcelo Furtado, head de sustentabilidade da Itaúsa, afirmou que é possível ganhar dinheiro ao mesmo tempo em que se resolve a crise climática. A declaração foi feita durante o ESG Summit 2026, ao falar sobre a agenda climática brasileira em 2026 e o papel do financiamento de soluções climáticas na transição rumo à COP31 na Turquia. A visão dele é de que soluções climáticas devem gerar negócio, emprego e renda para ganhar escala.

O EcoInvest, programa do Tesouro Nacional, foi apresentado como o exemplo mais recente de financiamento que combina recursos públicos e privados para acelerar a transição ecológica. Em leilões recentes voltados à Amazônia, foram movimentados mais de R$ 13 bilhões, após outra rodada que somou R$ 15 bilhões, com o Itaú captando R$ 8 bilhões nessa etapa. Segundo Furtado, os valores representam uma virada para que a agenda ESG seja tratada como negócio dentro de grandes instituições.

O processo decorre de uma iniciativa deflagrada ainda durante a COP30, em Belém, quando Itaúsa, Bradesco, Itaú Unibanco, Natura, Nestlé e Vale pilotaram a CASE (Climate Action Solutions & Engagement) para identificar soluções já maduras para investimento. Após avaliação da Accenture, SB COP e CEBDS, restaram 128 soluções com linhas de financiamento ativas ou em estruturação, orientando o caminho do Brasil para a COP31 na Turquia.

EcoInvest: instrumento para capital verde

O EcoInvest é descrito como o instrumento mais sofisticado para destravar capital verde no Brasil. Ele atrai investimento internacional ao atuar como hedge cambial, reduzindo riscos para aportes externos. Além disso, o desenho público-privado funciona como garantidor, ampliando o volume de recursos privados. O programa também valoriza ativos naturais ainda não precificados pelo mercado, ao direcionar investimento para setores emergentes.

A origem do EcoInvest envolve o Tesouro Nacional, com apoio do Nature Investment Lab, hoje composto por mais de 500 organizações. Itaúsa, IFC, BNDES e Banco do Brasil integram o conselho que define prioridades; a participação do BB foi essencial para o leilão na Amazônia, que contou com a mobilização de rede de agências regionais, contribuindo com cerca de R$ 1 bilhão no primeiro ano.

Adaptação, resiliência e investimentos setoriais

O executivo aponta que a adaptação climática ainda não tem espaço adequado no debate corporativo, sendo comum tratar mitigação e adaptação como temas separados. Em decisões de investimento, a resiliência do negócio deve prevalecer, considerando riscos climáticos, geopolíticos e disrupções como a inteligência artificial.

No portfólio da Itaúsa, projetos para descarbonização já utilizam biometano entre empresas do grupo, com Engie produzindo o biometano, Copa Energia gerenciando a logística de distribuição e NTS integrando-o aos dutos de gás natural. Além disso, há parceria com Motiva, Dexco, Egie e Instituto Votorantim para preparar municípios, especialmente escolas, para impactos de eventos climáticos extremos, buscando reduzir abandono escolar e fortalecer a recuperação pós-desastre.

O objetivo da Itaúsa, conforme o executivo, é atuar como alocadora de capital na agenda climática brasileira, promovendo uma economia mais sustentável e produtiva. A mensagem é de que o Brasil tem potencial para exportar soluções verdes e avançar etapas da transição energética, com foco em resultados concretos e mensuráveis.

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