- A Noaa dos Estados Unidos confirmou o início do El Niño, com 63% de chance de ser de alta intensidade entre setembro e janeiro.
- A Aneel emitiu alerta para operadores de hidrelétricas no Sul reforçarem a segurança diante da possibilidade de fortes chuvas no segundo semestre.
- O El Niño pode elevar o consumo de energia e exigir mais uso de usinas térmicas, o que tende a aumentar a conta de luz; a bandeira vermelha passa a ser mais provável a partir de agosto.
- Os reservatórios das hidrelétricas no Sudeste e Centro-Oeste estão em 66% da capacidade, o pior patamar para este período desde a crise de 2021.
- O setor pode precisar de mais energia no início da noite e avalia medidas para reduzir o uso de térmicas, como horário de verão e programas de resposta da demanda, além de impacto potencial em reajustes de tarifas em 2027.
Na semana passada, a Aneel emitiu alerta aos operadores de hidrelétricas da região Sul para reforçar a segurança diante da possibilidade de fortes chuvas no segundo semestre. O objetivo é identificar e mitigar fatores de risco no sistema elétrico.
Especialistas apontam que El Niño pode elevar o uso de usinas térmicas e, com isso, o custo na conta de luz. Há ainda o risco de quedas de fornecimento por incêndios e ventos fortes, além de variações na oferta de água para as hidrelétricas.
O início do El Niño foi confirmado pela NOAA, nos EUA, na última quinta-feira. A probabilidade de o fenômeno atingir intensidade alta entre setembro e janeiro é de 63%.
Cenário hidrelétrico no Brasil
Reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por cerca de dois terços da capacidade de armazenagem, estão com 66% da capacidade. Esse patamar é considerado o pior desde a crise energética de 2021.
O cenário atual traz demanda por energia no período de pico noturno, mantendo o excesso diurno. O uso de termelétricas tende a aumentar no início da noite, o que eleva o custo para o consumidor.
Perspectivas tarifárias e medidas
A probabilidade de bandeira vermelha na conta de luz aumenta a partir de agosto, segundo especialistas. Atualmente a bandeira amarela está em vigor, com patamar de cobrança entre R$ 1,88 e R$ 4,46 por 100 kWh, dependendo da cor.
Especialistas sugerem medidas de mitigação, como ajuste de horários de consumo ou programas de resposta da demanda para reduzir o uso de térmicas nos momentos de maior demanda.
Observações técnicas e ambientais
José Kelman destaca a necessidade de adaptação a eventos extremos gerados pela combinação de El Niño e mudanças climáticas, incluindo tempestades e incêndios. A atuação de órgãos como ANA e ONS já envolve esquemas operacionais mais restritivos em hidrelétricas quando necessário.
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