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Renegociação de dívidas rurais pode custar R$ 3,5 bi/ano, estima Lupion

Frente Parlamentar da Agropecuária estima custo de R$ 3,5 bilhões anuais com a renegociação, até R$ 45,5 bilhões em treze anos

Foto: Wilton Junior/Estadão
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  • O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária afirma que a renegociação de dívidas rurais custará cerca de R$ 3,5 bilhões por ano ao governo, com equalização de juros em 3,5%, 5,5% e 7,5%, com base na Selic de 14,5% ao ano.
  • Em cenário conservador, o custo total seria de aproximadamente R$ 45,5 bilhões em 13 anos; o valor pode diminuir se a Selic cair.
  • O governo classifica a medida como pauta-bomba fiscal, enquanto a bancada agropecuária sustenta que o funding vem principalmente de fundos constitucionais e não afeta o resultado primário.
  • O projeto prevê linha de crédito com funding de recursos de fundos constitucionais e do superávit do Fundo Social do Pré-Sal, com o governo atuando apenas na equalização de juros.
  • Há dúvidas sobre fontes de recursos, impacto no Plano Safra e possibilidade de ações judiciais; negociações devem ocorrer entre Congresso e governo, com participação também do Ministério da Agricultura.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion, rebateu a ideia de que a renegociação de dívidas rurais é uma pauta-bomba fiscal. Segundo ele, o projeto utiliza recursos de fundos constitucionais que não alteram o resultado primário do governo.

Lupion afirmou em entrevista ao Estadão/Broadcast que a estimativa conservadora aponta custo de aproximadamente R$ 3,5 bilhões por ano ao Executivo, apenas com a equalização de juros. A taxa Selic de referência influencia esses cálculos.

A bancada agropecuária sustenta que o custo total pode cair se a Selic cair. Em projeção de 13 anos, com a taxa atual, seria possível chegar a cerca de R$ 45,5 bilhões. O financiamento viria principalmente de fundos ociosos e do superávit do Fundo Social do Pré-Sal.

A discussão envolve dados sobre inadimplência no setor, que se mantém elevada e afeta bancos, cooperativas e produtores. Fatores como juros, câmbio, custos de fertilizantes e preços de commodities ajudam a explicá-la.

O governo, por meio do Ministério da Fazenda, sustenta que o projeto não cabe entre as chamadas pautas-bomba. O ministro Durigan diz que não há espaço fiscal e classifica a medida como prejudicial ao agronegócio.

Os apoiadores defendem que o projeto é autorizativo, com regulamentação a cargo do governo. A bancada aponta que o texto prevê linha de crédito com funding de fundos constitucionais, remunerando o fundo garantidor, sem impactar o orçamento nominal.

Nos bastidores, há resistência a uma eventual Medida Provisória que trate do tema. O setor reclama de prazos curtos e da falta de participação efetiva do Ministério da Agricultura para destravar as negociações.

A Câmara dos Deputados discute tramitação acelerada para chegar ao plenário antes do Plano Safra, previsto para começar em 1º de julho. A pauta está sob pressão de líderes e da própria Frente Parlamentar.

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