- Restaurantes dentro de shoppings, como o Vila Medí no Shopping Cidade Jardim, buscam se firmar como destino com ambientes elaborados e cardápios autorais.
- O Vila Medí recebe cerca de dez mil clientes por mês e opera com aproximadamente 110 funcionários.
- O movimento de superar o estigma dos shoppings envolveu casas como Lanchonete da Cidade, Pirajá, Bráz Trattoria, ICI Brasserie e Astor, que hoje atuam nesses espaços com identidade gastronômica própria.
- O ambiente é parte da estratégia: espaços com janelas, vistas para o exterior e conexão entre arquitetura e menu ajudam a minimizar a ideia de que o local é apenas praça de alimentação.
- A transformação acompanha o uso do shopping como espaço de lazer e encontro, exigindo operação estável, treinamentos e padronização para manter a qualidade o tempo todo.
O Vila Medí, um restaurante mediterrâneo com 290 lugares, abriu no Shopping Cidade Jardim buscando mais que um cardápio: uma experiência sensorial completa. A casa visa descrever o ambiente, a cenografia, os aromas e o serviço como parte do cliente. Hoje recebe cerca de 10 mil visitantes por mês, com uma operação de 110 funcionários.
A proposta vem mudando a percepção de restaurantes dentro de shoppings. Operadores históricos passaram a investir em espaços que se apresentem como destinos independentes, mantendo a conveniência de localização. A Cia Tradicional, por exemplo, já tinha 30% de suas operações em shoppings, segundo Joao Adas, diretor executivo da empresa.
Essa transformação tem raízes em iniciativas anteriores. Há quase duas décadas, a Lanchonete da Cidade abriu no Cidade Jardim, abrindo caminho para operações gastronômicas autorais nesses espaços. Observadores ressaltam que a mudança não aconteceu de um dia para o outro, exigindo visão de longo prazo e investimento em qualidade e identidade.
O ambiente como argumento
Ambientes projetados para parecer quase independentes ajudam a reduzir o peso do entorno. O Fuoco & Farina ocupa o rooftop do MorumbiShopping com arquitetura que sugere unidades de rua. O Su, do Attivo Group, aposta em janelões que conectam o interior ao entorno, mantendo a segurança e a conveniência do shopping.
Para Fabio Coelho, sócio do Vila Medí, a concepção do cardápio foi alinhada à arquitetura desde o início, buscando uma experiência que envolva todos os sentidos. O menu mescla pratos orientais, mediterrâneos e italianos, acompanhados pela ambientação.
Virginia Jancso, sócia do Due Cuochi, comenta que algumas unidades nasceram para que o cliente quase não perceba que está dentro de um shopping, mantendo a proposta de uma casa de rua. O Cabaña Argentina, por sua vez, chegou ao Pátio Higienópolis com uma lógica semelhante, já recebendo avaliação positiva do público.
Desafios diários
A operação constante — horários estendidos, picos de movimento e consistência de atendimento — é o principal obstáculo. Chefes ressaltam que o sucesso depende da repetição de processos bem feitos, não de um dia específico. Treinamento, padronização e monitoramento da equipe são citados como diferenciais.
O Vila Medí destaca a necessidade de um cardápio versátil para atender diferentes perfis de consumo, sem exigir que todos optem por pratos caros. A gestão envolve equilibrar criatividade culinária com pragmatismo, para manter a qualidade ao longo da semana.
O panorama reforça que a gastronomia em shoppings ganha destaque como motivo da visita, não apenas como complemento. Profissionais do setor afirmam que esses espaços podem atuar como lojas-âncoras, atraindo públicos variados e oferecendo ocasiões de encontro e consumo ao longo da semana.
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