- Bancos centrais, entre 76 participantes, devem aumentar a participação do ouro nas reservas nos próximos cinco anos, enquanto as reservas em dólares devem recuar.
- 84% dos entrevistados esperam maior peso do ouro, e 74% projetam queda da participação do dólar nas reservas globais.
- O ouro representava 27% das reservas mundiais no fim de 2025, enquanto ativos em dólares somavam 42%.
- A mudança reflete o papel crescente de países além dos EUA na economia global e preocupações com a sustentabilidade da dívida e a independência da Fed (Banco Central dos EUA).
- Mais da metade dos participantes acredita que o yuan terá participação maior nas reservas centrais nos próximos cinco anos.
O Conselho Mundial do Ouro revelou que bancos centrais devem aumentar a participação do ouro em suas reservas nos próximos cinco anos, à medida que a parcela em dólares tende a recuar. A pesquisa, realizada entre fevereiro e maio, aponta uma leitura gradual da transição cambial.
Participaram 76 bancos de diversas regiões, com a maioria respondendo após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã em 28 de fevereiro. O estudo mostra expectativa de alta no peso do ouro nas reservas, frente a 76% que previram elevação no ano anterior.
Entre os respondentes, 84% acreditam em maior participação do ouro nas reservas em cinco anos, enquanto 74% estimam queda da participação do dólar nesse mesmo período. O ouro já representava 27% das reservas globais ao fim de 2025, segundo dados do BCE.
Mudança na composição das reservas
Os resultados indicam uma tendência de diversificação cambial entre bancos centrais, com o dólar ainda dominando, mas perdendo espaço ao ouro. Títulos em dólares continuavam em 42% das reservas, ainda o maior peso agregado.
O contexto geopolítico influencia a percepção dos gestores. A defesa de moedas nacionais e a preocupação com a sustentabilidade da dívida externa são citadas como fatores que moldam as escolhas de composição de reservas, segundo o estudo.
Apesar da pressão sobre o sistema do petrodólar e da volatilidade geopolítica, muitos bancos centrais mantiveram o ouro como proteção contra inflação e riscos geopolíticos, destacando a função do metal em cenários de crise.
A China manteve avanço modesto no ouro, somando cerca de 10 toneladas em maio, o maior ganho mensal desde dezembro de 2024. A Turquia também voltou a acumular ouro a partir de abril, segundo o Conselho Mundial do Ouro.
Mais da metade dos entrevistados prevê aumento do peso do yuan entre as reservas totais nos próximos cinco anos. Em contraste, 45% esperam crescimento das reservas de ouro de seus bancos centrais, ante 43% no levantamento anterior, com maior expectativa entre mercados emergentes.
Entre na conversa da comunidade