- Em Nova York, durante a Brazilian Week, o Brasil foi visto como ativo estratégico ainda subvalorizado, com interesse real do mercado global.
- Analistas destacaram que o país continua a oferecer empresas de qualidade negociadas a múltiplos baixos e pode se beneficiar do reposicionamento global de capital.
- O otimismo depende da capacidade de enfrentar o desequilíbrio fiscal e manter uma agenda de responsabilidade fiscal, segurança jurídica e reformas estruturais.
- A inteligência artificial foi pauta central, apresentada como infraestrutura econômica e ferramenta de produtividade, levantando a dúvida sobre o Brasil ser produtor ou consumidor de tecnologia.
- 2026 é visto como eleição decisiva, com foco em governança econômica estável e continuidade de reformas, além da necessidade de transformar potencial em previsibilidade.
O Brasil visto de Nova York está sendo analisado com uma lente diferente. Durante a Brazilian Week, em Manhattan, o país aparece como um ativo estratégico ainda subvalorizado, apesar dos desafios internos.
Entre encontros promovidos por Apex Partners, BTG Pactual, G4, XP e FGA, executivos e lideranças políticas reuniram-se para discutir o cenário brasileiro. Em quase todos os ambientes surgiu a leitura de que o Brasil voltou a despertar interesse real no exterior.
Avaliadores lembraram que o país continua sendo um mercado com potencial de qualidade a múltiplos relativamente baixos. Entre eles, Martin Escobari, da General Atlantic, destacou a atratividade de empresas bem avaliadas nesse patamar. André Esteves, do BTG Pactual, comentou sobre o reposicionamento global de capital em um cenário externo cada vez mais volátil.
Não houve euforia, mas pragmatismo. O consenso aponta uma combinação rara no mundo atual: juros elevados, câmbio depreciado e um vasto mercado consumidor. Por outro lado, Mansueto Almeida ressaltou que a evolução depende do Brasil enfrentar o desequilíbrio fiscal.
O retorno de Nova York gerou uma sensação ambígua: o interesse pelo Brasil existe, porém as oportunidades são perceivedadas como de prazo limitado. Essa percepção marca o tom de parte das conversas e analistas presentes.
A política foi tema central em boa parte das conversas. Mike Pompeo, ex-Secretário de Estado dos EUA, conectou o Brasil ao reposicionamento americano frente à China e à reorganização das cadeias produtivas globais. Um ponto que nem sempre recebe espaço no debate interno brasileiro.
Audiências com Romeu Zema (Novo) e Eduardo Leite (PSD) revelaram uma percepção comum entre investidores: a eleição de 2026 pode definir a continuidade de agenda fiscal responsável, segurança jurídica e reformas estruturais.
O discurso produtivo ganhou peso: empresários disseram que o setor precisa retomar pautas concretas, em vez de polarização constante. A ideia é transformar potencial em agenda de resultados.
A inteligência artificial dominou a pauta tecnológica, mas de forma prática: IA como infraestrutura econômica e ferramenta de produtividade. Participantes apontaram que o desafio agora é saber quando cada setor se reinventará para incorporar a tecnologia.
Executivos de empresas como Wellhub destacaram a presença silenciosa da IA na experiência do usuário. Uma pergunta recorrente foi se o Brasil conseguirá participar da transformação como produtor de tecnologia ou permanecerá como consumidor.
As reformas tributária e fiscal também foram discutidas entre empresários. A reforma é vista como avanços, mas também como risco, dependendo de como a transição será conduzida.
A impressão é de que o Brasil desperta interesse genuíno, mesmo diante de obstáculos. O país permanece uma promessa relevante no cenário global, desde que converta potencial em previsibilidade econômica.
Entre os relatos, a leitura comum é de que oportunidades existem, porém com prazo de validade. A busca por estabilidade fiscal, segurança jurídica e reformas estruturais segue no centro das análises.
Em síntese, o Brasil é visto como ativo estratégico, mas ainda precisa consolidar credibilidade para transformar expectativa em realidade no curto prazo.
Entre na conversa da comunidade