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Cenário externo não é o principal obstáculo aos cortes de juros, aponta Copom

Cenário doméstico eleva o risco de descontrole das expectativas de inflação caso o Copom reduza a Selic para 14,25%

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  • O Copom pode cortar a Selic de 14,50% para 14,25%, seguindo a aposta da maioria dos analistas, com base na sinalização da reunião anterior.
  • Mesmo com a melhora externa, o principal obstáculo ao ciclo de cortes agora é doméstico, especialmente o mercado de trabalho ainda firme e a inflação recente que fica perto de 5%.
  • As expectativas de inflação subiram: a mediana das projeções do Focus aponta 5,30% para 2026 e 4,10% para 2027, distantes da meta de 3%.
  • O governo Lula lançou crédito, subsídios e reforço de renda neste ano, o que pode elevar quase 1,5 ponto percentual ao PIB de 2026 e pressionar ainda mais a inflação.
  • Se o Copom decidir cortar hoje, o risco é de descontrole das expectativas de inflação, já que o espaço para cortes ficou exíguo.

O Copom pode reduzir a Selic de 14,50% para 14,25% nesta quarta-feira, 17, conforme a aposta majoritária de analistas, após sinalização da última reunião. A decisão ocorre no cenário doméstico, não apenas externo, segundo especialistas.

Desde a última reunião, o mercado de trabalho segue firme: desemprego em 5,8% e rendimento médio real advance de 5,4% na comparação anual. Esses dados fortalecem a dúvida sobre a continuidade do ciclo de cortes.

A inflação atual surpreende ao sustentar pressões acima da meta. Indicadores de preços subjacentes ficam perto de 5% e as expectativas para o IPCA sobem. Projeções para 2026 passaram a 5,30% e 2027, 4,10%.

O ambiente fiscal é apontado como vetor de pressão: crédito, subsídios e políticas de renda ampliam o estímulo. Analistas avaliam que o governo Lula aumenta o choque fiscal neste ano, com impacto na inflação.

Ao mesmo tempo, o BC vê espaço para reduzir juros, mas o espaço tornou-se mais estreito devido aos desequilíbrios domésticos. O debate envolve o risco de desancorar as expectativas inflacionárias.

Se o Copom cortar hoje, o efeito pode acelerar a desaceleração dos juros, mas aumenta o risco de a inflação engrenar acima da meta. O BC precisa equilibrar sinalização com controle da inflação.

Ao fim, a decisão depende de dados recém-divulgados e da leitura sobre o que guiará a inflação neste cenário doméstico, com a focalização em manter a estabilidade sem frear o crescimento.

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