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Copom mantém Selic sob pressão de inflação e gasto público

Mercado espera queda de 0,25 p.p. na Selic, mas Copom deve sinalizar cautela diante de inflação elevada, deterioração das expectativas e cenário externo instável

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
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  • Copom deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, indo para 14,25% ao ano, segundo a visão majoritária do mercado.
  • O foco não é só o corte, mas o tom do comunicado e sinais sobre próximos passos, diante da deterioração da inflação, despesas públicas e cenário externo.
  • Bancos e casas de análise mantêm o cenário de corte, mas com cautela e possibilidade de pausa após esta reunião.
  • O Boletim Focus aponta para fim de 2026 com a Selic em 13,75% ao ano, e o IPCA de 2026 em 5,3%, acima do teto da meta.
  • Fatores como inflação mais resistente, expectativas deterioradas e ambiente internacional incerto reduzem o espaço para novos cortes sem melhora adicional.

O Copom decidiu manter o foco em uma trajetória de queda gradual da Selic, em meio a inflação resistente, gastos do governo e incertezas externas. A aposta majoritária é de um novo recuo de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão ocorre em plenitude de cenário externo ainda volátil.

A principal dúvida não é apenas o corte, mas o tom do comunicado e as sinalizações para os encontros seguintes. Inflação mais pressionada, atividade econômica resiliente e o ambiente fiscal desfavorável reduzem o espaço para flexibilização mais acelerada.

Cenário e expectativas

Economistas e instituições sinalizam, na média, o recuo de 0,25 ponto na reunião de hoje. A leitura comum é de continuidade do ciclo de cortes, com cautela sobre a condução futura diante de riscos inflacionários e externos.

A XP aponta que o recuo ajudou a aliviar parte das pressões pelo recuo recente do petróleo, mas destaca que os demais fatores seguem pressionando a inflação. A instituição projeta novo corte de 0,25 p.p. para 14,25% e recomenda que o comunicado ressalte a deterioração do cenário inflacionário.

Perspectivas entre bancos e cenários

O cenário aponta para uma pausa eventual no ciclo, com o banco projetando duas reduções adicionais a partir de agora, até chegar a 14% ao ano, caso haja melhora das expectativas. A XP sugere que o Copom pode encerrar o ciclo após a decisão desta semana se não houver melhora.

O Itaú BBA também prevê corte de 25 p.p. para 14,25% e defende manter espaço para próximos ajustes, avaliando que o quadro exige equilíbrio entre avanços graduais e riscos inflacionários adicionais.

O Santander mantém a visão de continuidade em junho, com Selic a 14,25%, mas antecipa pausa no segundo semestre e projeção de 13,75% ao fim de 2026. A leitura reflete cautela diante de curvas globais, aversão ao risco e complexidade doméstica.

BTG Pactual espera a última redução neste encontro, para 14,25%, mantendo teto estável até o fim de 2026. O banco revisou para cima as projeções de inflação e aponta balanço de riscos inclinando para cima.

Demanda do mercado e relação com o câmbio

O Bank of America trabalha com ciclo mais curto, prevendo apenas mais um corte de 0,25 p.p. em junho e pausa subsequente, com Selic em 14,25% ao fim de 2026.

Entre analistas locais, a cautela segue. Rafael Cardoso, Daycoval, aponta expectativa de queda de 0,25 p.p. nesta reunião, diante de inflação mais pressionada, expectativas deterioradas e ambiente externo desfavorável.

Cardoso ressalta que o cenário doméstico, mesmo sem considerar conflitos internacionais, apresenta desafios para o BC manter o ritmo de cortes. O comunicado pode sinalizar maior incerteza sem encerrar o ciclo, mantendo portas abertas para futuras avaliações.

Projeções de mercado

O Boletim Focus indica elevação das projeções do mercado para a Selic ao fim de 2026, com mediana a 13,75% ao ano, e IPCA de 2026 projetado em 5,3%, acima do teto da meta. O mercado reforça a percepção de juros elevados por mais tempo diante de inflação persistente.

O Copom atua em um momento de pressão de gastos públicos e de cenário externo desafiador, o que tende a manter o tom mais conservador nas comunicações e a reduzir o espaço para cortes adicionais sem sinalizações claras de convergência inflacionária.

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