- Cotistas do CACR11 reprovaram as demonstrações financeiras de 2025, conforme documento da BRL Trust.
- Participação na votação foi de apenas 5% das cotas emitidas; 2,27% votaram pela reprovação, 1,77% pela aprovação, 0,94% abstenções e 0,02% conflito de interesse.
- A reprovação ocorre em meio a crise envolvendo operações de crédito imobiliário da carteira, com inadimplência, renegociações e revisões de garantias, somando 468 milhões de reais em saldo devedor — equivalente ao patrimônio líquido do fundo.
- Nova auditoria foi contratada pela gestão (RSM Brasil) após questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários; reemissão dos balanços de 2025 estava em andamento.
- A decisão não implica liquidação imediata nem alterações automáticas na carteira, mas aumenta a pressão sobre a administração; outros empreendimentos da carteira aparecem em processos de reestruturação.
Os cotistas do fundo imobiliário Cartesia Recebíveis Imobiliários (CACR11) reprovaram as demonstrações financeiras de 2025, conforme relatório divulgado nesta segunda-feira pela administradora BRL Trust. A decisão ocorre em meio a uma crise envolvendo operações de crédito ligadas ao fundo e semanas após a contratação de uma nova auditoria para reemitir os balanços, após questionamentos da CVM.
A autarquia passou a acompanhar as informações contábeis do CACR11 após publicações do Valor Investe sobre a carteira de CRIs e os critérios de avaliação da gestão. Segundo o termo de apuração da consulta formal, apenas 5% das cotas emitidas participaram da votação.
Entre os cotistas que se manifestaram, 2,27% das cotas votaram pela reprovação, 1,77% pela aprovação, 0,94% abstiveram-se e 0,02% votaram como conflito de interesse. Com isso, as demonstrações financeiras do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025 foram rejeitadas.
Nova auditoria e contexto da carteira
A reprovação ocorre pouco mais de um mês após o CACR11 anunciar a contratação da RSM Brasil para conduzir a nova auditoria independente das demonstrações. A decisão veio após questionamentos da CVM sobre informações contábeis divulgadas pelo fundo e levou à necessidade de reemissão dos balanços de 2025.
No edital de convocação, a administradora informou que as demonstrações originais não haviam sido disponibilizadas dentro do prazo regulatório devido à transferência da gestão do fundo. O relatório aponta que a auditoria já estava em curso pela RSM Brasil, devendo a reemissão ocorrer conforme normas aplicáveis.
Apesar da reprovação, a situação não implica, de imediato, a liquidação do CACR11 nem efeitos diretos sobre a carteira de ativos. A decisão, no entanto, aumenta a pressão sobre a administração e a gestão do fundo em meio a questionamentos sobre a qualidade das operações.
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