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Interrupção de cortes da Selic passa a ser maioria para Copom de junho

Mercados sinalizam pausa nos cortes da Selic em junho, com espaço limitado para novas reduções e inflação ainda acima do alvo

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  • Dólar em alta e Ibovespa em baixa; o DI para o começo de dois mil e vinte e sete ficou próximo da atual Selic de 14,5% ao ano, sinalizando pausa nos cortes no Copom de junho.
  • O ciclo de cortes começou em março e levou a Selic de 15% para 14,5% ao ano; a visão dominante é de pausa já em junho ou de mais um corte de 0,25 ponto seguido de pausa em agosto.
  • Até o fim de dois mil e vinte e seis, o espaço para cortes se estreita, com expectativa de mais uma ou duas reduções de 0,25 ponto, encerrando a Selic entre 13,5% e 14%.
  • Fatores como choque de oferta pela guerra, inflação elevada e programas de estímulo dificultam novas quedas da Selic; a inflação permanece acima da meta.
  • Queda do petróleo para US$ 80 o barril e a trégua incerta entre Estados Unidos e Irã podem manter a aposta por pausa, com decisão provável apenas em agosto.

A cotação do dólar avançava e o Ibovespa recuava no início da sessão vespertina desta terça-feira (16). Os juros futuros mostravam a DI de início de 2027 abaixo de 14,5% ao ano, sinalizando expectativa de pausa no ciclo de cortes da Selic.

Aparece no radar dos agentes financeiros a possibilidade de o Copom manter a Selic estável na reunião desta semana, encerrando um ciclo iniciado em março com reduções de 0,25 p.p. em cada reunião. A meta caiu de 15% para 14,5%.

Analistas veem espaço limitado para novos cortes ainda este ano, projetando uma ou, no máximo, duas reduções de 0,25 p.p. até o fim de 2026, com a Selic ficando entre 13,5% e 14%. A possibilidade de nova queda depende do ajuste de inflação.

Expectativas e fatores de custo

Em relatório, a 4intelligence aponta que a diferença entre a taxa real e a taxa neutra favorece cortes quando o desvio não é expressivo nem sinaliza pressão de alta. No Brasil, a taxa neutra fica perto de 5%, enquanto a real se aproxima de 9%.

A continuidade de cortes dependeria da convergência entre inflação esperada e a meta, que tem enfrentado pressões de oferta causadas pela guerra e pela alta de preços de combustíveis e alimentos, itens relevantes do IPCA.

Cenário externo e composição de riscos

O cenário externo, com recuos recentes no petróleo, reforça a dúvida sobre a viabilidade de cortes adicionais no curto prazo. Queda de preços do petróleo para cerca de US$ 80 o barril aumenta o alívio, mas não elimina a incerteza inflacionária.

Além disso, estímulos à demanda e políticas de crédito favorável no Brasil atuam como fatores que dificultam cortes mais profundos. A comparação com juros globais também influencia a curva de juros e o câmbio, afetando o carry trade.

Perspectiva para o Copom

Mesmo com juros externos pressionando, a viabilidade de um corte adicional depende de novas sinalizações de inflação, sobretudo acima de 5% em 2026, o que tende a restringir mudanças na trajetória da Selic na reunião de junho ou agosto.

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