- O Banco do Japão elevou a taxa de juros de referência em 0,25 ponto, indo para 1%, o nível mais alto em trinta e um anos.
- A decisão ocorreu nesta terça-feira, 16, em meio a pressões inflacionárias provocadas pelo aumento dos preços do petróleo e de energia, ligados à guerra no Oriente Médio.
- O banco disse que continuará aumentando as taxas conforme monitorar preços e a economia, ante a possibilidade de inflação subir.
- Economistas destacaram que a inflação já começa a se intensificar e que outros bancos centrais, como o Banco Central Europeu, também adotam medidas mais restritivas.
- O cenário inclui desvalorização do iene e riscos ligados ao fechamento do Estreito de Ormuz, com possíveis impactos na cadeia de suprimentos e nos preços.
O Banco do Japão elevou hoje a taxa de juros de referência para 1%, o maior patamar em 31 anos. A decisão ocorreu em meio a pressões inflacionárias alimentadas pelo aumento dos preços de energia, principalmente em função da guerra no Oriente Médio. O banco manteve o ritmo de aperto monetário para conter a inflação sem descuidar da economia.
A medida foi tomada apesar de resistência interna e da influência externa, incluindo a pressão dos Estados Unidos. O Banco do Japão justificou o ajuste pela persistente pressão de preços, principalmente dos combustíveis, e pela necessidade de monitorar de perto a evolução econômica.
A decisão ocorre em um momento de volatilidade cambial e de interrupções na cadeia global de suprimentos. Economistas destacam que o cenário externo, como o fechamento do Estreito de Ormuz, eleva as expectativas de inflação e força movimentos mais ágeis por parte de bancos centrais no mundo.
Contexto e consequências
O governo japonês e o mercado aguardavam o desfecho da política monetária, com o BCE já sinalizando endurecimento e o Fed sob nova gestão monitorando dados de inflação. O movimento do BOJ acompanha esse padrão de resposta a pressões de custo e câmbio.
O vice-presidente Shinichi Uchida afirmou que o acordo para reabrir o Estreito de Ormuz reduziu riscos para a economia, mas a incerteza persiste sobre a rapidez da normalização da cadeia de suprimentos. Economistas ressaltam que o ajuste visa prevenir surpresas inflacionárias este mês.
Desde o início de 2024, o BOJ já vinha elevando juros gradualmente, buscando moderar a inflação associada a choques geopolíticos e a falhas na cadeia de suprimentos. O iene manteve trajetória de depreciação frente ao dólar, pressionando custos de importação.
A líder política Sanae Takaichi, eleita primeira-ministra em outubro, tem defendido estímulo fiscal e uma moeda mais fraca para favorecer exportações. A postura contrasta com medidas de afrouxamento que, se adotadas, poderiam ampliar o aperto monetário necessário para controlar a inflação.
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