- Em Alsácia, Tanguy Semevo cria um vinho de abacaxi fermentado usando apenas abacaxi com IGP puro, batizado de vin d’ananas.
- O projeto envolve produtores beninenses, que alugam parte de suas terras para cultivo, com foco em agricultura orgânica.
- As primeiras duas cuvées foram lançadas em 2024, com 96% de abacaxi na receita e uso de leveduras de sidra.
- A empresa investe em parcerias com produtores que operam com capacidade ociosa, alugando equipamentos por períodos específicos.
- 4% dos lucros são revertidos para financiar projetos de agricultura sustentável na região.
En Alsácia, na França, surge um projeto que une inovação, ética e agroindústria. Tanguy Semevo, fundador da Maison Dalla, criou um vinho de ananás fermentado a partir de ananás IGP, buscando valorizar produtores locais do Benim e apoiar a produção sustentável. A iniciativa ganhou forma após o fundador adquirir terras no Benim em 2021, sob orientação de sua avó.
Os primeiros contatos com produtores de ananás locais levaram a um acordo de arrendamento, com foco em cultivo agroecológico. Semevo diz ter ficado impressionado com a consciência ambiental dos agricultores e com a prática de cultivo que evita pesticidas. O arrendamento abriu caminho para a integração entre Alsácia e Benim na produção da bebida.
Parcerias e produção
As duas primeiras cuvées, lançadas em 2024, são produzidas exclusivamente com o ananás do plateau d Allada, obtido de forma biológica. A Maison Dalla compromete-se a destinar 4% dos lucros para projetos de agricultura sustentável. A bebida utiliza o suco de 96% do fruto, fermentado com leveduras próprias do mundo do sidra e com os mesmos equipamentos de prensagem usados para uvas.
A cuvée Toussaint apresenta um vinho branco seco com uma acidez marcante, lembrando um toque de limão. Combina bem com frutos do mar, ostras e peixes. Já a cuvée Angélique é mais frutada, com leve doçura, indicada para aperitivos com tapas, segundo a marca. A ideia central é oferecer uma produção local que valorize o savoir-faire francês em conjunto com produtores africanos.
Parcerias e resultados
Inicialmente houve resistência, mas a rede de parceiros da filiera mostrou abertura. Em vez de investir em maquinaria própria, Semevo optou por alugar equipamentos de produtores com capacidade ociosa, mantendo uma produção colaborativa. O empresário destaca que a experiência na filière vinícola de parceiros fortalece a organização do projeto.
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