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Único brasileiro em audiência defenderá Pix e cobrará debate técnico

Único brasileiro inscrito na audiência dos EUA defenderá o Pix como infraestrutura de pagamentos e cobrará coordenação entre governo e Banco Central

Gustavo Pessoa, economista brasileiro defenderá PIX em audiência sobre tarifaço - (crédito: Reprodução/Redes socias )
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  • Gustavo Pessoa, professor da FGV, é o único brasileiro inscrito até agora na audiência pública dos EUA sobre possíveis tarifas de 25% a produtos brasileiros, marcada para 6 de julho.
  • A participação discute o Pix, que o economista vê como infraestrutura de pagamentos e não apenas um meio de pagamento, exigindo segurança, transparência e resiliência.
  • Pessoa defende a análise técnica do sistema brasileiro, destaca o papel ampliado do Banco Central e aponta dificuldades orçamentárias para manter projetos de infraestrutura financeira.
  • Ele afirma que não há intenção de defender o Brasil de forma política, mas apresentar argumentos técnicos para mostrar que o Pix é viável e pode servir de estudo para outros países.
  • O economista critica a falta de coordenação entre órgãos do governo brasileiro e sugere uma atuação conjunta entre Brasil, Estados Unidos e, se possível, Europa para tratar de disputas comerciais e defesa técnica do Pix.

O economista Gustavo Pessoa, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisador de riscos no sistema financeiro, é o único brasileiro inscrito até agora para a audiência pública dos EUA que discutirá tarifas sobre produtos brasileiros. A sessão, promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), ocorre em 6 de julho como parte de uma investigação sobre práticas brasileiras consideradas problemáticas.

A pauta inclui desmatamento ilegal, pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção e, surpreendentemente, o Pix, sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Pessoa afirma que o Pix deixou de ser apenas um meio de pagamento e passou a atuar como infraestrutura de pagamentos, exigindo custos, segurança e resiliência.

Para o professor, o papel do Banco Central mudou com o Pix: o BC não é apenas regulador, mas também operador de sistema de pagamento. Ele defende maior transparência sobre custos, orçamento e capacidade operacional do órgão, citando dificuldades orçamentárias já mencionadas pelo presidente da instituição.

As inscrições para a audiência ficam abertas até 22 de junho. As manifestações enviadas serão incorporadas ao processo e podem influenciar a decisão final das autoridades norte-americanas.

Pessoa, com formação entre Brasil, Portugal, Espanha e EUA, atua há anos no estudo de regulamentação financeira e riscos de mercado. A participação, segundo ele, tem caráter técnico, não político, e busca defender o sistema brasileiro de forma fundamentada.

Perspectiva sobre o Pix

O economista argumenta que o Pix representa uma experiência de infraestrutura financeira de grande escala. Ele destaca que o sistema já concentra cerca de 53% das transações no Brasil, o que eleva sua importância para a economia. O Pix é visto como essencial para a eficiência do mercado.

Segundo Pessoa, o objetivo é demonstrar que o Pix é viável, transparente e não busca favorecer empresas nacionais em detrimento de rivais estrangeiros. Ele afirma que o modelo brasileiro pode servir como estudo de caso para outros países.

O especialista compara o Pix a iniciativas internacionais como o UPI na Índia e o FedNow dos EUA, destacando que o Brasil pode ampliar o entendimento global sobre pagamentos instantâneos.

Coordenação institucional e próximos passos

O economista critica a articulação entre órgãos brasileiros diante de disputas comerciais, defendendo uma cooperação mais estreita entre o Banco Central, a Fazenda e as Relações Exteriores. Ele sugere uma força-tarefa bilateral para tratar do tema.

Antes da audiência, Pessoa informou ter enviado documentos ao USTR com detalhes do funcionamento do Pix e argumentos a favor do sistema. A definição de quem poderá falar ainda depende da avaliação das autoridades americanas após o fim das inscrições.

O debate no exterior, segundo ele, deve seguir um rito formal que inclua espaço para defesa técnica, distinguindo-se de disputas políticas. O objetivo é evitar que o Brasil fique sem representação técnica em um processo com impactos econômicos relevantes.

O professor reforça a necessidade de transparência sobre custos de infraestrutura financeira no Brasil e da participação de diferentes setores do governo para defender, de forma fundamentada, o sistema de pagamentos brasileiro no cenário internacional.

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