- Vendas do varejo tiveram queda de 1,5% em abril na comparação com março, interrompendo três meses de alta.
- O varejo ampliado recuou 0,7% no mesmo período; no acumulado de 12 meses, o varejo registra alta de 1,5%.
- No mês, queda houve de forma generalizada, com destaque para Combustíveis e Lubrificantes (-6,2%) e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (-4,6%).
- O varejo ampliado: Veículos caíram 0,7% e Materiais de Construção recuaram 3,6%.
- Economistas destacam que os fundamentos ainda são fortes, mas indicam perda de fôlego no consumo no curto prazo, com impactos de condições financeiras restritivas.
O comércio varejista brasileiro registrou queda de 1,5% em abril ante março, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE. O resultado interrompe uma sequência de três altas e devolve o patamar dessazonalizado ao de janeiro. Em 12 meses, o varejo ainda avança 1,5%, e frente a abril de 2025 houve alta de 1%.
O varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, caiu 0,7% no período. Ao contrário do varejo restrito, esse recuo reforça a percepção de desaquecimento do consumo. Entre as categorias, houve forte recuo em Combustíveis e Lubrificantes, com -6,2%, após alta de 5% em março.
Entre os destaques negativos, Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico recuaram 4,6% e Equipamentos e Materiais para Escritório, Informática e Comunicação caíram 4,5%. Móveis e eletrodomésticos tiveram queda de 0,8%, mantendo o quinto mês consecutivo de baixa. Supermercados, Alimentos e Bebidas avançaram 1,3%, amortecendo a deterioração do indicador agregado.
Para analistas, o resultado mostra uma queda generalizada. A XP destaca que o desempenho foi puxado pela fraqueza em itens sensíveis à renda e ao crédito, com o grupo de atividades sensíveis à renda recuando 0,6% e as ligadas a crédito caindo 1,4%. O desempenho dos supermercados ajudou a reduzir o tom do recuo agregado.
O varejo ampliado sinaliza piora adicional neste mês, com queda de 0,7%, ante expectativa de alta de 0,2%. Veículos recuaram 0,7% e Materiais de Construção caíram 3,6%. Economistas ressaltam que o tom geral indica dificuldade de consumo, mesmo diante de leitura positiva em itens essenciais.
Além disso, agentes destacam fatores conjunturais. O Itaú aponta que o Atacado especializado em Alimentos avançou 2%, abaixo da previsão de 10%, e combustíveis cresceram 1,6%, também aquém do esperado. A leitura sugere que o repasse de despesas judiciais pode ter impactado atividades mais sensíveis ao crédito.
Para o período, as projeções de longo prazo seguem cautelosas. Economistas da XP observam que o consumo permanece sustentado por emprego robusto e medidas de estímulo, mas esperam desaceleração do PIB no segundo trimestre de 2026, com estimativas de crescimento próximas de 0,5%. Alette de referência para o mercado aponta riscos equilibrados entre apoio governamental e condições monetárias restritivas.
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