- O microcrédito rural está abrindo caminho para a expansão do agro no Nordeste, permitindo correção de solo, compra de maquinário e adoção de tecnologia com rapidez maior do que o uso exclusivo de recursos próprios.
- Cooperativas de crédito, como Cresol e Sicredi, ampliam o acesso a financiamentos no interior nordestino, incluindo linhas como Pronaf Mais Alimentos, Pronaf Mulher e Pronaf Microcrédito B.
- O crédito impulsiona jovens empreendedores e renovação do perfil no campo, com aumento de atuação de jovens no agro e participação de estudantes que retornam para trabalhar na atividade familiar.
- As mulheres ganham espaço no campo: na Cresol, 36,1% dos associados no Nordeste são mulheres, e 19,76% atuam no agro; os créditos favorecem investimentos e diversificação de renda.
- O crédito rural ajuda a reduzir o êxodo rural, fortalecer economias locais e aumentar a geração de empregos, com impactos positivos na cadeia produtiva e na renda regional.
Do sonho à colheita: microcrédito abre caminho para o agro no Nordeste mostra como jovens, mulheres e pequenos produtores ampliam negócios com crédito rural. A modalidade favorece investimentos em solos, tecnologia e infraestrutura, reduzindo o tempo necessário para colocar projetos em produção.
Em Luís Eduardo Magalhães, Bahia, Fernando Belanda usa o microcrédito para acelerar a expansão de atividades na pecuária, na lavoura e na integração de tecnologias. O recurso permite correções de solo e aquisição de maquinário, tornando a produção mais estável e previsível.
Ele destaca que o financiamento facilita antecipar investimentos que, de outra forma, levariam anos para sair do papel. Com o crédito, o agricultor evita ficar preso a ciclos anuais de demanda e colheita, ampliando a capacidade de crescimento.
Desenvolvimento dos negócios
O movimento ocorre em municípios do Nordeste, onde o microcrédito rural funciona como ponte para modernização, investimento e ampliação de negócios. Cooperativas de crédito ampliam o acesso a financiamentos noInterior nordestino, como no caso de Belanda.
Marcela Lazzari, gerente de estratégia agro do Sicredi, aponta que o crédito rural atende desde insumos até infraestrutura e tecnologia. O objetivo é garantir que o recurso impulsione projetos sem comprometer o planejamento financeiro.
Os efeitos vão além das propriedades: a produção rural impulsiona cadeias econômicas, gera empregos e fortalece a economia regional. Estudos da OCB e da Fipe associam a instalação de cooperativas a ganhos de PIB per capita e expansão de empregos locais.
Jovens empreendedores
Dados do Systema OCB indicam 3,8 milhões de cooperados com idade entre 18 e 30 anos no Brasil, 16% do total. No Nordeste, a participação ainda é pequena, mas cresce com a atuação de cooperativas como a Cresol.
Na Cresol, jovens entre 17 e 24 anos representam 6% dos cooperados nordestinos, com quase 10% atuando no agro. A maior parte utiliza o Pronaf, com metade dos recursos destinados a investimentos e a outra metade ao custeio.
O diretor Adriano Michelon afirma que os jovens investem em eficiência e produtividade, com casos de expansão de rebanhos e adoção de tecnologias. A proximidade das cooperativas facilita planejamento além do simples score de crédito.
Crédito também impulsiona mulheres à frente de negócios rurais
Em Quixadá, Ceará, Ana Cláudia Rabelo lidera a produção de leite com apoio de crédito rural. A família comercializa para a queijaria local, elevando a remuneração e assegurando abastecimento para as próximas safras.
A venda de leite é aliada à produção de milho para silagem e à compra de ração com recursos das operações de crédito da Cresol. Cooperadas desde 2017, as mulheres representam 36,1% do total de associadas no Nordeste, com 19,76% atuando no agro.
Entre as produtoras que acessam crédito, 65,6% destinam recursos a investimentos, 34,4% ao custeio. O crédito facilita planejamento e continuidade da produção, segundo os gestores.
Para Belanda, o microcrédito acelera o progresso do setor, permitindo que diferentes etapas do crescimento ocorram em prazos mais curtos. “O crédito rural impulsiona o agronegócio a passos mais largos”, afirma.
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