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Choque de 2,9 GW pode redefinir o agro baiano

Estimativa de 2,9 GW de demanda energética para irrigação e agroindústria no Oeste da Bahia pode determinar o ritmo da próxima fase do agronegócio local

Cristina Gross: “Enquanto a minha média geral no sequeiro foi de 70 sacas por hectare, minha média geral no irrigado foi de 95 sacas por hectare”
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  • Estudo da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) aponta necessidade de 1,8 gigawatt adicionais para a expansão da agricultura irrigada no Oeste da Bahia, chegando a 2,9 GW ao considerar agroindústria, armazenagem e processamento.
  • Os números servem de base para o planejamento energético regional e foram enviados à Empresa de Pesquisa Energética (EPE), sem obras contratadas ainda.
  • Na Bahia Farm Show, executivos da Neoenergia Coelba e da Lindsay destacaram investimentos; a concessionária anunciou plano de R$ 25 bilhões até 2030, com R$ 3,2 bilhões destinados ao Oeste baiano.
  • A principal preocupação é que a energia disponível não acompanhe o ritmo do agronegócio, especialmente com o crescimento da irrigação que vem impulsionando a produção.
  • O Oeste baiano já possui mais de trezentos e trinta mil hectares irrigados, respondendo por cerca de oitenta e dois por cento da área irrigada do estado, e pode crescer com infraestrutura de transmissão adequada.

A região oeste da Bahia vive uma nova fase de expansão agrícola, impulsionada pela irrigação e pela agroindústria. Um estudo da Aiba aponta que, sem energia suficiente, o ritmo de crescimento pode frear o avanço do agronegócio na região.

Na Bahia Farm Show, realizada em Luís Eduardo Magalhães entre 8 e 12 de junho, a associação mostrou que a demanda por energia tende a crescer. O levantamento estima 1,8 gigawatt para expansão agrícola irrigada, chegando a 2,9 gigawatts com agroindústrias e atividades ligadas.

A demanda projetada não representa contratos firmados, apenas serve como base para planejamento regional. Os números foram encaminhados à EPE, responsável por orientar a expansão da infraestrutura elétrica nacional.

Para entender o cenário, ouviu-se Fabiana Lopes, da Neoenergia Coelba, e Cláudio Candido Lima, da Lindsay no Brasil, presentes na feira. Eles destacaram que o desafio é conectar geração e transmissão às necessidades da região.

O Oeste baiano já é destaque na produção: deve superar 14 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, com soja respondendo por cerca de 9,5 milhões de toneladas. O estado produz R$ 57,3 bilhões em agropecuária, sexto entre as unidades federativas.

A irrigação se mostra central no crescimento regional. Hoje, mais de 330 mil hectares já são irrigados, correspondendo a aproximadamente 82% da área irrigada da Bahia. A prática tem elevado a produtividade, fortalecendo a posição da região no setor.

Gargalo de energia vem ganhando importância. Cristina Gross, diretora da Aiba, afirma que investimentos ficam paralisados pela falta de energia, ainda que haja terras, crédito e outorgas. A concessionária planeja reforçar rede e subestações no estado.

Energia como motor de futuro

A Neoenergia Coelba anunciou um plano de investimento de 25 bilhões de reais na Bahia até 2030, com 3,2 bilhões destinados ao Oeste. O objetivo é ampliar redes, subestações e reforçar a transmissão na região.

Mas, segundo a executiva Fabiana Lopes, ainda é necessário ampliar a capilaridade de transmissão para distribuir energia gerada fora da região. A iniciativa envolve novos pontos de suprimento e melhorias de infraestrutura.

A irrigação aparece como fator de segurança produtiva. Cláudio Candido Lima aponta que o Brasil tem irrigado apenas cerca de 8% da área agricultável, com potencial de expansão expressivo e impacto no rendimento da soja e do milho.

Para ele, a irrigação reduz a incerteza climática e representa oportunidade de crescimento para fornecedores de tecnologia, como a Lindsay, que atua globalmente e vê o Oeste baiano como área estratégica de atuação.

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