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Copom reduz juros pela 3ª vez, mas eleva projeções do IPCA

Copom corta a Selic para 14,25% ao ano pela terceira vez, eleva projeção do IPCA e aponta convergência apenas em 2028

PRI-1806-BACEN_SELIC - (crédito: maurenilson)
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  • O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mantendo o ciclo de afrouxamento pela terceira vez consecutiva.
  • O BC informou que pode seguir calibrando o aperto de forma gradual, mas não detalhou o tamanho futuro do ciclo de queda.
  • As projeções de inflação subiram: IPCA deste ano passou a 5,2% e a inflação até o quarto trimestre de 2027 ficou em 3,7% (horizonte monitorado), acima da meta de 3%.
  • O Brasil passou a ocupar a liderança de juros reais globais, com juro real de 9,67% ao ano, segundo levantamento da Lev Intelligence e MoneYou.
  • Economistas destacaram que o BC abriu o olhar para 2028, sinalizando que cortes adicionais podem ocorrer, enquanto avaliação sobre riscos inflacionários e cenário fiscal permanece sob análise.

O Copom reduziu pela terceira vez seguida a taxa Selic, apesar de revisar para cima a projeção de inflação. O evento ocorreu na noite de ontem, com decisão unânime, afastando o aperto previsto e elevando as expectativas para o cumprimento da meta apenas em 2028. A taxa passou de 14,5% para 14,25% ao ano.

O comitê ressaltou que o cenário externo permanece incerto, especialmente por conflitos no Oriente Médio, e que o ambiente interno mostra aceleração da atividade econômica e sinais de resiliência no mercado de trabalho. A calibração da política monetária deve seguir, segundo o Copom, de forma gradual e dependente de novos dados.

Para o mercado, a passagem a 14,25% manteve o país como líder em juros reais entre 40 economias analisadas, com juro real de 9,67% ante 9,33% da Rússia. O BC indicou que o horizonte de planejamento se estende até 2028, sinalizando que cortes adicionais podem ocorrer conforme a inflação convergir para a meta.

Contexto internacional

O Federal Reserve dos EUA manteve a taxa básica entre 3,50% e 3,75% ao ano, não sinalizando cortes neste ano. A decisão ampliou a diferença entre políticas monetárias de Brasília e Washington, destacando trajetórias distintas para a inflação e o crescimento global.

Desdobramentos domésticos

O Copom elevou a inflação projetada para este ano, de 4,6% para 5,2% no IPCA. A previsão para o final de 2027 subiu de 3,5% para 3,7%, ainda acima do centro da meta. Analistas destacam que a comunicação sugere maior tolerância com o tempo de convergência.

Reação do setor produtivo

Entidades do setor elogiaram a queda da Selic, mas ressaltaram riscos fiscais, com gastos adicionais para estímulo à atividade. A Firjan enfatizou que credibilidade fiscal é essencial para manter o hálito da flexibilização monetária. A CNI criticou a sobreposição entre juros altos e custos de crédito.

Perspectivas

Especialistas divergem sobre o caminho adiante. Alguns entendem que o BC pode realizar novos cortes de 0,25 ponto percentual ao longo do ano, até chegar a 13,25% em dezembro. Outros alertam que pressões inflacionárias e o ambiente fiscal podem restringir movimentos futuros.

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