- ETFs de renda fixa cresceram de R$ 4,8 bilhões em 2020 para R$ 50 bilhões hoje, avanço de mais de dez vezes em seis anos.
- A indústria soma R$ 114 bilhões sob gestão; em 2024 a renda fixa representava 17% do total, chegando a quase metade do mercado atual.
- O ETF mais negociado é o LFTB11, com 92% em Tesouro Selic e 8% em Tesouro IPCA+ 2060, buscando média de vencimento acima de 720 dias para reduzir IR.
- O NTNS11 foca em IPCA+ com vencimentos de até quatro anos, tem taxa de administração de 0,19% ao ano e remuneração de IPCA+ em torno de 8,19% (104% do CDI) líquido de IR.
- Existem opções com gestão dinâmica, como o PHIP11 que ajusta a duration automaticamente, e o AREA11, que busca renda mensal com NTN-Bs de longo prazo.
O ETF de renda fixa registra crescimento acelerado no Brasil, ampliando participação na indústria. O movimento ocorre em um cenário de juros altos e favorece fundos de índice negociados em bolsa.
Entre 2020 e hoje, o patrimônio desses ETFs saltou de cerca de R$ 4,8 bilhões para R$ 50 bilhões, um ganho superior a 10 vezes em seis anos. Em 2024, a renda fixa passou a responder por parte expressiva do mercado de ETFs.
Hoje, segundo dados da B3 compilados pela Investo, a indústria administra aproximadamente R$ 114 bilhões em ETFs. Em março, os ETFs de renda fixa representavam cerca de 42% do setor, ante 11% em 2020.
LFTB11: o ETF mais negociado do mercado
O LFTB11 é o ETF de renda fixa mais negociado, buscando replicar o índice MarketVector Brazil Treasury 760 Day Target Duration. O fundo é composto por 92% de títulos Tesouro Selic e 8% de Tesouro IPCA+ 2060.
Essa carteira de vencimentos combinados permite alongar o prazo médio para mais de 720 dias, favorecendo a aplicação na faixa da alíquota de 15% do Imposto de Renda. A tributação é o principal diferencial entre os ETFs de renda fixa.
NTNS11: juros reais de médio prazo com baixo custo
O NTNS11, gerido pela Investo, investe em títulos Tesouro IPCA+ com vencimentos de até quatro anos. A taxa de administração é de 0,19% ao ano, e o IR é retido na fonte.
A gestora aponta IPCA+ próximo de 8,19% e rendimento líquido próximo a 104% do CDI, com foco em vencimentos de médio prazo. Títulos IPCA+ 2031 aparecem como oportunidade, segundo analistas.
Melhor prazo para investir, segundo analistas
Analistas destacam o PACB11 como estratégia recomendada para surfar a curva de juros, com cesta de títulos públicos de até cinco anos. O fundo acompanha o índice IMA-B e compensa com menor custo de gestão e menor tracking error.
O PACB11 tem administração de 0,19% ao ano, ante 0,25% de alguns concorrentes, seguindo o Teva Tesouro IPCA Ultra Longo Convexity Enhanced. Esse diferencial pode representar ganho líquido ao investidor.
Surfar a curva com o PHIP11
O PHIP11 investe exclusivamente em NTN-Bs e replica índice que ajusta a duration da carteira conforme o cenário de juros. Quando a curva sobe, mantém títulos de maior prazo; quando cai, reduz a duração. O objetivo é capturar prêmios de forma dinâmica.
Essa gestão permite que o investidor tenha exposição ao movimento da curva sem rebalanceamento manual constante.
ETF de renda fixa não é timing de mercado
Dados apontam que o fluxo institucional migrou para NTN-Bs longas no fim de 2023 e ao longo de 2024. Quem entrou no momento certo pode ter obtido ganhos de aproximadamente 9% na marcação a mercado.
Especialistas ressaltam que ETFs de renda fixa não devem ser usados para timing de mercado. A recomendação é manter alocação estável e ajustá-la conforme a curva de juros, não como tentativa de cravar o momento perfeito.
AREA11: ETF que paga dividendos mensais
Entre as opções de renda fixa, o AREA11 foca em NTN-Bs com vencimentos acima de oito anos. Embora sujeita a volatilidade, a carteira pode ampliar ganhos caso a curva de juros passe a fechar.
A principal atração do AREA11 é o fluxo de caixa mensal, com rendimento anual estimado em torno de 6%, mesmo que as NTN-Bs paguem cupons com menor frequência. O fundo replica o índice Teva ITBR IPCA Rendimento.
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