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Fim da 6×1 pode elevar custos do agronegócio e afetar abastecimento, diz SRB

SRB alerta que fim da escala 6x1 pode elevar custos do agronegócio entre 7,8% e 8,6%, impactando colheita, logística e abastecimento, principalmente para pequenos produtores

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  • A possível adoção do fim da escala 6×1 pode elevar custos de contratação no agro, estimando aumento entre 7,8% e 8,6%.
  • A SRB afirma que o cenário do trabalho rural não é considerado nas propostas em tramitação no Congresso, incluindo PEC 221 e o projeto do governo.
  • Patrícia Arantes ressalta que a PEC de Rogério Marinho ofereceria mais liberdade para a contratação, mas não resolve regras específicas do trabalho rural nem do abastecimento alimentar.
  • Pequenos produtores seriam mais afetados, com potencial de serem obrigados a dispensar trabalhadores familiares ou de baixo padrão de crédito e margens, reduzindo a competição no setor.
  • Em comparação internacional, EUA, Austrália e Argentina adotam modelos mais flexíveis de contratação para o agronegócio, o que, segundo a SRB, pode deixar o Brasil em desvantagem de preços.

O debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil ganhou contornos de preocupação para o agronegócio. A mudança pode influenciar a colheita e o transporte de produtos, elevando custos num momento de aperto financeiro no campo.

Patrícia Arantes, diretora da Sociedade Rural Brasileira (SRB), afirmou que o cenário do trabalho rural não vem sendo considerado nas propostas em tramitação no Congresso. Segundo ela, a PEC em debate não reflete a realidade do setor.

Ela citou a PEC 221, de Rogério Marinho, como alternativa que ampliaria a liberdade na contratação, mas ressaltou que a proposta governamental na Câmara e a PEC não contemplam regras específicas para o trabalho rural nem para o abastecimento alimentar. Também não prevê a Lei 5.889/1973, sobre a safra.

Estudos do Ministério do Trabalho e da Frente Parlamentar Agropecuária, apresentados na CCJ da Câmara, indicam que a medida pode elevar em cerca de 7,8% a 8,6% os custos de contratação no agro. A SRB alerta que, com dificuldade de colheita e logística, a oferta pode cair e impactar o preço final.

Produtores de menor porte seriam os mais afetados, disse Arantes. Juros elevados, crédito restrito e margens apertadas já pressionam esse grupo, que pode perder mão de obra com o aumento de custos e ficar menos competitivo.

A SRB aponta que grandes operações têm maior capacidade de absorver mudanças na folha de pagamento, enquanto pequenos produtores, como um agricultor de leite que emprega apenas um trabalhador, seriam mais vulneráveis à elevação de custos.

A representante ainda destacou fatores que dificultam a contratação no campo: deslocamento de pessoas para centros urbanos, baixa qualificação para operar maquinário moderno e a preferência por auxílios governamentais em vez de qualificação profissional.

Para Arantes, a liberdade de negociação entre trabalhador e empregador é essencial para atrair mão de obra qualificada. Ela citou exemplos internacionais onde modelos mais flexíveis ajudam a manter competitividade.

Entre os casos citados estão os Estados Unidos, a Austrália e a Argentina, que adotam regimes mais flexíveis de contratação e opções para a jornada de trabalho, com direitos proporcionais. Ela informou que, sem atenção a esses fatores, o Brasil pode perder competitividade de preços diante dos concorrentes.

Impactos por tamanho de produtor

  • Pequenos produtores podem sentir maior impacto financeiro e dificuldade de manter a mão de obra.
  • Grandes operações podem, em tese, absorver alterações sem reduzir capacidade produtiva.

Contexto internacional

  • Modelos mais flexíveis ajudam a atrair mão de obra sazonal.
  • Experiências no exterior são citadas para embasar a defesa de regras que considerem a realidade do campo brasileiro.

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