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Juros dos EUA sobem após maior salto desde 2008

Juros dos títulos dos EUA sobem após decisão do Fed; rendimento da Treasuries de dois anos atinge 4,18%, com prova de novas altas ainda em 2026

— Foto: Getty Images
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  • Juros dos títulos dos EUA subiram nesta quinta-feira, após o maior salto desde a crise de 2008 na última decisão do Fed, com o mercado esperando novas altas sob o comando de Kevin Warsh.
  • A Treasury de dois anos avançou para 4,18%, após alta de mais de 16 pontos-base na sessão anterior.
  • Rendimentos de títulos de prazo mais longo recuaram: 10 anos em 4,44% e 30 anos em 4,86%.
  • O Fed manteve a taxa entre 3,50% e 3,75%, mas sinalizou preocupação com a inflação e possibilidade de altas ainda em 2026, com nove membros prevendo ao menos uma elevação.
  • O market preço indica 51% de probabilidade de alta a partir de setembro, aumentando apostas de aperto monetário e impactos no dólar e em mercados emergentes.

Os juros dos títulos públicos dos EUA voltaram a subir nesta quinta-feira, após a decisão do Fed que manteve a taxa básica. O rendimento da Treasury de dois anos avançou para 4,18% por volta de 10h50, sob pressão das expectativas de novos aumentos no médio prazo. O movimento reforça a leitura de que o novo presidente do banco, Kevin Warsh, adotou postura mais dura frente à inflação.

A alta da maturidade de curto prazo ocorreu após o maior salto em uma decisão do Fed desde 2008. Segundo o banco MUFG, a elevação de mais de 16 pontos-base na sessão anterior foi a maior desde março de 2008.

Por outro lado, rendimentos de títulos mais longos recuaram: a Treasury de 10 anos operava em 4,44% e a de 30 anos em 4,86%. O movimento acompanha o aperto de gradiente entre prazos curtos e longos, típico de ajustes de cenário.

O Fed manteve a faixa da taxa entre 3,50% e 3,75% ao ano, como esperado. Contudo, os dirigentes sinalizaram preocupação com a inflação e indicaram possibilidade de novas elevações no futuro próximo. Nove membros do comitê passaram a prever ao menos uma alta ainda neste ano ou em 2026.

Warsh explicou mudanças na comunicação da instituição e minimizou a importância do chamado dot plot, que reúne as estimativas dos dirigentes para a trajetória da política monetária. A leitura mais firme da reunião levou investidores a atribuir 51% de probabilidade a um aperto adicional a partir de setembro, segundo dados do CME Group.

Essa leitura tem efeitos globais para investidores. Rendimentos do Tesouro americano costumam servir de referência para ativos de baixo risco, influenciando fluxos para mercados emergentes e o câmbio. Com juros elevados, há maior pressão sobre dívidas, ações e commodities ao redor do mundo.

Para o investidor brasileiro, a elevação dos Treasuries pode pressionar o dólar e dificultar cortes adicionais na Selic sem impactos adicionais sobre câmbio e inflação. O cenário também tende a influenciar a precificação de ativos locais e custos de captação de empresas e governos.

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